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6 de setembro de 2010
 

Agricultura | 28/07/2010 | 18h20min

Ministério da Agricultura comemora 150 anos

Conheça a história da pasta, que foi criada em 1860 e transferida para Brasília em 1960

Luciane Kohlmann | Cristalina (GO)Atualizada às 19h38min

No início, era apenas uma secretaria no império de Dom Pedro II, criada em 28 de julho de 1860, no Rio de Janeiro. A época era de ascensão do café e queda nos preços do açúcar.

— A formação do Ministério está intimamente ligada à ideia de que o Estado é que vai, ao longo do processo de produção, organizar essa produção e, portanto, ser um incentivador, um motivador do desenvolvimento — diz o professor de sociologia rural Sérgio Sauer, da UnB.

Em 1960, o Ministério da Agricultura foi transferido para Brasília. A ex-servidora Maria da Paz Albuquerque participou da mudança para a capital federal.

— Ficamos aqui sete anos, só o escalão avançado. Em 1967 é que vieram todos os outros órgãos para Brasília — conta Maria da Paz.

Foram 58 anos de trabalho. Atuando no gabinete dos ministros, presenciou acontecimentos históricos, como a organização do crédito rural e a criação das companhias de alimentos, a Cobal, e de armazenagem, a Cibrazem, que nos anos 1990 deram origem à Conab.

— Elas representaram um grande avanço para agricultura no Brasil, porque o agricultor passou a ter crédito, e a comercialização se deu, além do armazenamento dos produtos — acrescenta a ex-servidora.

O servidor público Francisco Guimarães conhece essa história. É o funcionário mais antigo em atuação no Ministério: 53 anos no setor de recursos humanos.

— Me identifiquei com o pessoal, trabalhar na área do pessoal. Estou aí até hoje na aposentadoria e pensão, e a turma me conhece — revela Guimarães.

Em 1961, ele recebeu uma carta do presidente Juscelino Kubitschek de agradecimento pelos serviços prestados.

Alguns anos depois da data desta carta, o agronegócio passou por uma revolução. Na década de 1970, a Embrapa e o trabalho de extensão rural expandiram e qualificaram lavouras e rebanhos.

— O rebanho brasileiro teve um crescimento genético onde o apoio do Ministério se fez presente pela vontade dos produtores, mas também com o apoio do Ministério. Paralelo a isso, houve o grande salto no que diz respeito à sanidade animal — explica o vice-presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Sperotto.

As pesquisas desenvolvidas nos laboratórios chegaram a agricultores como a produtora rural Terezinha Beatriz Kurz. Com sementes modernas, ela produz alface o ano inteiro na cidade gaúcha de Uruguaiana, na fronteira com a Argentina. O acesso ao crédito permitiu a construção de onze estufas.

— Os financiamentos são muito bons para nós podermos trabalhar. Sem ninguém pra ajudar não tem como, a gente não consegue. Consegui terra, veículo, uma casa, principalmente as estufas — comemora Terezinha.

Tecnologia
A tecnologia tornou até a previsão do tempo mais eficiente. O Instituto Nacional de Meteorologia, ligado ao Ministério da Agricultura, ampliou a rede de monitoramento, antes limitada à zona costeira. Atualmente, são mais de 800 estações. Tudo que elas captam é repassado ao homem do campo.

— A agricultura é uma atividade de risco climático. Agora, uma boa meteorologia faz com que esse risco seja mínimo — explica o diretor do Inmet, Antônio Divino Moura.

Em um século e meio, o Brasil se transformou em uma das maiores economias do mundo. Muito disso é graças ao desenvolvimento da produção rural. Só nas últimas duas décadas, a colheita de grãos cresceu 150%, e o setor passou a representar um terço do produto interno bruto. Lá fora, o Brasil conquistou a liderança nas exportações de vários produtos: açúcar, carne bovina e de frango, café em grão e até suco de laranja.

As conquistas precisam ser aprimoradas. O sociólogo Sérgio Sauer defende um modelo de desenvolvimento agropecuário, baseado na preservação ambiental e na valorização dos pequenos produtores.

— Como o Ministério, como um instrumento do Estado, pode pensar em políticas, capazes de ir agora movendo na direção do que hoje a gente chama de desenvolvimento sustentável, algo menos predatório e também obviamente menos excludente — conclui Sauer.

 

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