Freio de Ouro | 20/04/2010 10h19min
Quando iniciou a prova de mangueira, às duas da tarde do domingo nublado, faltava apenas o aval dos jurados para ser declarado o campeão do Freio de Ouro de 1990. O público já tinha seu preferido por vários corpos de vantagem. Butiá Arunco, de Berganolli e Filhos e Nobre Tupambaé, de Oswaldo Dornelles Pons disputavam os dois primeiros lugares e ainda faltavam as provas finais de campo (de figura e esbarrada). Mas a torcida, dessa vez, foi implacável.
Ao entrar em pista capitaneado pelo ginete Wilson Souza, Nobre Tupambaé foi ovacionado como um campeão. A cada arremetida contra o novilho furioso, na mangueira, as arquibancadas lotadas sacudiam de alegria. Ao sentar nas patas com estilo bailarino, fazendo delas o seu eixo, Nobre parecia agradecer à vibração. Era, enfim, a resposta técnica que faltava para complementar a simpatia popular.
Antes de proclamar os resultados finais, os dois jurados do Freio de Ouro, Gilberto Loureiro de Souza e Antônio Martins Bastos Filhos, já tinham pelo menos uma opinião unânime formada. "Este é o melhor Freio de todos os tempos", festejava Souza, satisfeito em julgar uma competição "onde pelo menos seis equinos estão com fortíssimas chances de vencer" (em anos anteriores, ao iniciar a Exposição sabia-se com certa margem de certeza o nome do favorito).
O rigor durante os 12 meses que precederam as provas finais em Esteio justificavam ainda mais tamanho crédito. Provas eliminatórias em seis cidades e 10 provas credenciadoras colocaram mais de 500 animais em condições de chegar a Expointer.
"Estou impressionado com a qualidade da seleção funcional e morfológica que vi aqui", diz, embasbacado, Benjamin Garcia Huidobro, representante oficial da Associación de Criadores de Caballos Criolos do Chile. O reconhecimento não foi da boca para fora: pela primeira vez o vencedor do Freio de Ouro recebeu a Medalha de Ouro que no Chile distingue os vencedores da prova de Rodeo e o Movimento de La Rienda (similar ao Freio de Ouro), prêmios máximos que um Crioulo pode abocanhar naquele país.
Nobre Tupambaé confirma, mais uma vez, que La Invernada Hornero é o melhor cavalo Crioulo da história brasileira. Este chileno só não está no sangue de apenas um campeão Freio de Ouro (do ano de 86, quando venceu BT Sargento, filho do também chileno La Invernada Aniversário). Mas não é só ele que se consagra. Os campeões também têm a mesma origem materna, éguas riograndense que são filhas ou netas de Sorro Campeiro.
Este é o caso de Butiá Arunco (campeão em 88 e três vezes vice em 87, 89 e 90) e Nobre Tupambaé, filho de Hornero com Preciosa do Cinco Salsos, que seus donos não admitem vender "nem por 300 mil dólares". Este acasalamento já havia dado certo na primeira edição do Freio, em 1982, vencida por Itaí Tupambaé.
"Houve um equilíbrio do temperamento calmo do chileno com o temperamento mais agitado do Cinco Salsos", define Direceu Pons, pai de Oswaldo Pons, de Dom Pedrito, dono do vencedor. "O chileno deu um posterior com uma mola propulsora e um anterior leve que oferecesse condições de flutuação dos seus movimentos".
RICARDO STEFANELLI/ZERO HORA