Consultoria prevê mais soja e menos milho para o Brasil

Expectativa da INTL FCStone é que a produção da oleaginosa atinja 117,1 milhões de toneladas; para o milho segunda safra, o corte foi de 8,6% em relação ao relatório de maio

Fonte: Pixabay/montagem

A consultoria INTL FCStone revisou seus números para a safra 2017/2018 brasileira de grãos nesta sexta-feira, 1º, trazendo novo aumento para a produção de soja, agora em 117,14 milhões toneladas – um avanço de menos de 200 mil toneladas em relação ao relatório  anterior.

“Esse leve aumento do número de produção decorreu de um novo incremento da produtividade média na Bahia, estado que teve um resultado excepcional”, explica a analista de mercado Ana Luiza Lodi.

O rendimento médio para o país alcançou 3,35 toneladas por hectare, segundo cálculos da empresa, nível próximo ao recorde alcançado no ciclo anterior, de 3,36 toneladas por hectare. “Esse desempenho fantástico, ressaltando que outros estados também registraram recordes de produtividade, aliado a um crescimento de área de mais de 3%, resultou em uma safra de soja recorde”, afirmou Lodi.

Milho

Para o milho, a INTL FCStone reduziu sua estimativa de produção para 78,4 milhões de toneladas, em decorrência, majoritariamente, de cortes na segunda safra. O número da produção de verão sofreu um leve recuo, ficando em pouco mais de 23 milhões de toneladas, devido a uma revisão da área, com um novo corte de 40 mil hectares. Essa mudança ocorreu no número do Paraná, com a soja ganhando mais espaço neste ciclo.

“Essa produção cada vez menor na primeira safra tem contribuído para dar sustentação aos preços do cereal no começo do ano, período em que está ocorrendo a colheita. Esse cenário pode contribuir para o milho verão voltar a ganhar área neste período, principalmente no Sul do país, onde se concentra a maior parte do consumo”, explicou.

Já a produção da segunda safra 2017/2018 foi estimada em 55,3 milhões de toneladas, uma queda de 8,6% frente ao número divulgado em maio, de 60,5 milhões de toneladas, e um diminuição de 17,8% em relação à safrinha 2016/2017.

Essa redução de mais de 5 milhões de toneladas foi motivada por cortes de produtividade, com o rendimento médio esperado para o Brasil ficando em 4,71 toneladas por hectare. O clima mais seco desde abril, com os níveis de precipitação se mantendo abaixo do esperado em maio, condicionou a revisão para baixo.

Oferta e demanda

Para o balanço de oferta e demanda da soja, a empresa projeta um consumo aquecido da oleaginosa, tanto para exportações quanto no mercado interno, o que deve resultar em estoques limitados, em 1 milhão de toneladas no final de 2018.

No caso do milho, os indicadores continuam apontando estoques acima de 11 milhões de toneladas. “O setor de carnes do Brasil vem enfrentando algumas dificuldades, como margens apertadas, embargo a exportações e, mais recentemente, a greve dos caminhoneiros. Essa paralisação afetou de forma grave a alimentação dos animais, o que resultou em morte e/ou necessidade de serem sacrificados, principalmente no caso das aves”, explicou a analista.

Segundo a consultoria, com isso, o consumo de milho para ração acabou recuando, pela dificuldade ou impossibilidade de se conseguir o cereal. A expectativa que se leve dois meses para a situação normalizar.