AMBIENTE

Decisões sobre novo Código Florestal devem afetar área de manguezais

Brasil tem a quarta maior área de mangue do mundo, que se estende do Amapá até Santa Catarina

As decisões sobre o novo Código Florestal esta semana em Brasília vão atingir diretamente as áreas de manguezais. O Brasil tem uma área extensa coberta com este ecossistema. A preocupação dos ambientalistas é de que a consolidação de ocupações irregulares em áreas de mangue, como prevê o texto do Código Florestal, abra um precedente.

— A preocupação é a gente ter instrumentos que viabilizem, consolidem as ocupações irregulares em áreas de manguezais e deixar estes ambientes tão importantes para a nossa economia do Brasil abertos a uma exploração desordenada — diz o biólogo da SOS Mata Atlântica, Fabio Motta.

O Brasil tem a quarta maior área de mangue do mundo, que se estende desde o Amapá até Santa Catarina. Só em São Paulo são 25 mil hectares. Os mangues são importantes para a natureza, para a economia e também socialmente. Só em empregos, mais de um milhão de pessoas dependem dos mangues. E uma característica que preocupa os ambientalistas é que o mangue pode ser restaurado, mas nunca transferido ou compensado de alguma maneira.

— Só tem manguezais onde existe hoje. O mangue não nasce onde o homem quer. Ele só nasce onde ele está hoje, pelas condições de salinidade, pelas condições de maré e pelas condições edáficas do solo — explica Fabrício Gandini, oceanógrafo do Instituto Maramar.

A ocupação do manguezais sem o uso sustentável é uma ameaça ao meio ambiente, dizem os especialistas. A preocupação de Gandini é também com a possibilidade de ocupação dos mangues por empreendimentos, como a expansão dos portos brasileiros.

No Porto de Santos, em São Paulo, três projetos de expansão estão em andamento. Depois de prontos, devem ocupar uma área de quase dois milhões de metros quadrados, cerca de 200 hectares.  Segundo o especialista em portos, Marcos Vendramini, a expansão é necessária. O profissional trabalha em uma empresa de engenharia que também faz projetos para estradas, ferrovias e aeroportos no Brasil.  Nos portos, diz ele, não tem jeito. Se precisa construir, tem que ser no mangue.

— Você tem que combinar a expansão necessária, do contrário não teríamos nada em Santos hoje. Eu acho que com bom senso você consegue conciliar o interesse das duas partes — avalia Vendramini.

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Fonte: Somar Meteorologia