Café: exportações caem 10% em 2017

A receita cambial também registrou queda, ficando 3,7% abaixo no comparativo com o ano anterior

Fonte: Pixabay

No ano passado, as exportações brasileiras de café tiveram um decréscimo no volume na comparação com 2016, segundo dados consolidados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Com o fechamento dos dados de dezembro a entidade completou o cálculo do número total de sacas exportadas, que ficou em 30.790.974. Isso representou uma queda de 10,1% em relação ao ano anterior, que registrou 34.268.749 sacas.

A receita cambial com as exportações de café em 2017 alcançou em US$ 5,2 bilhões, contra US$ 5,4 bilhões de 2016, e garantiu ao produto a 5ª posição nos embarques totais do agronegócio brasileiro, com 5,4% de participação. O preço médio no período, cerca de US$ 169,36, foi 6,6% superior na comparação com o ano anterior.

“O ano civil de 2017 teve como resultado total das exportações o embarque de 30,7 milhões de sacas de café, seguindo o que era previsto pelo mercado, com o fator climático sendo o protagonista, influenciando os últimos anos da produção, de forma negativa, a exemplo da forte redução das exportações no ano de 2017 dos cafés conilon”, afirma o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes.

Para 2018, o Cecafé observa que a recuperação deve chegar no segundo semestre, com a expectativa de entrada da próxima safra. “A partir de 1º de julho, ao que tudo indica, teremos uma boa safra como resultado de novos plantios, bons tratos culturais e o bom índice pluviométrico que atinge todo o parque cafeeiro até o momento, indicando um cenário com resultado otimista. Importante salientar que os estoques de passagem, cafés das safras remanescentes, no momento da entrada da safra 2018/2019, deverão ser ‘os mais baixos historicamente’, porém temos que acompanhar o desempenho das exportações mais o consumo interno neste primeiro semestre de 2018”, conclui.

No total do ano de 2017, os cafés verdes somaram 27.312.620 sacas (27.020.364 sacas de arábica e 292.256 de conilon). Já os cafés industrializados tiveram uma queda de 10,9% na comparação com o total exportado em 2016, registrando 3.478.354 sacas embarcadas, sendo 3.453.106 sacas de café solúvel e 25.248 sacas de café torrado e moído.

Dezembro de 2017

Somente em dezembro de 2017 foram exportadas 2,9 milhões de sacas, com receita cambial de US$ 483,1 milhões e preço médio de US$ 164,60. Os cafés verdes somaram 2.577.324 sacas (2.531.604 sacas de arábica e 45.720 sacas de conilon) e os cafés industrializados corresponderam a 357.967 (sendo 356.049 sacas de café solúvel e 1.918 sacas de café torrado e moído).

Principais destinos

No compilado do ano civil de 2017, os Estados Unidos mantiveram a liderança como o país que mais recebeu café exportado do Brasil, com 6.125.635 sacas (19,9%). Na sequência, aparece a Alemanha com 5.524.829 sacas (17,9%). O ranking tem ainda a participação da Itália com 2.781.300 sacas (9%), Japão com 2.094.252 sacas (6,8%) e Bélgica com 1.772.074 sacas (5,8%). Destaque ainda para o aumento na exportação para a Turquia (7,5%) e Rússia (1,2%), com 908.466 sacas e 990.299 sacas, respectivamente.

Cafés diferenciados

No ano civil de 2017, as exportações de cafés diferenciados (aqueles que têm qualidade superior ou algum tipo de certificado de práticas sustentáveis) corresponderam a 5.133.792 sacas, representando 16,7% do total de café embarcado no ano passado. A receita cambial dessa modalidade foi de US$ 1,02 bilhão no acumulado de 2017, correspondendo a 19,6% do total gerado com os valores da exportação de café. O preço médio dos cafés diferenciados ficou em US$ 199,59.

Os 10 maiores países importadores de cafés diferenciados representam 84,6% dos embarques com diferenciação. Os Estados Unidos são o país que mais recebe cafés diferenciados do Brasil, com 1.170.757 sacas exportadas, o que corresponde a 22,8% da modalidade. A Alemanha conquista o segundo lugar – posição em 2016 ocupada pelo Japão – com 13,8% (708.060 sacas), seguida da Bélgica, com 11,5% (591.831 sacas), Itália, com 10% (511.819 sacas) e Japão, com 9,6% (492.913 sacas).

Portos

Em 2017, o Porto de Santos se manteve na liderança como a principal via de escoamento da safra para outros países, com 84,9% (26.130.205 sacas embarcadas) de participação. Os portos do Rio de Janeiro seguem em segundo lugar, com 10,9% (3.348.821 sacas embarcadas) de participação no ano.