Menú

RETROSPECTIVA 2017 / PERSPECTIVA 2018

Arroz: clima, custo de produção e importações tornam 2017 difícil para o setor

Produtores enfrentaram dificuldades ao longo do ano e fizeram uma das safras mais caras da história; setor se mantém receoso para 2018

O ano 2017 foi difícil para os produtores de arroz do Rio Grande do Sul. Agricultores de todo estado enfrentaram custos altos, atraso no plantio por conta do clima e ainda tiveram que lidar com as importações – teve até pedido de ajuda para o governo federal.
 
A maior pedra no sapato dos rizicultores foi certamente o custo de produção. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) botou na ponta do lápis o que mais encareceu a semeadura e constatou que o produtor brasileiro plantou uma das safras mais caras da história.

 A bandeira vermelha na conta da energia elétrica e o forte aumento no preço dos combustíveis são alguns dos responsáveis por essa situação, de acordo com o economista Antônio da Luz, da Farsul. Segundo ele, o custo de produção em 2017 foi mais alto do que o das três safras anteriores.
 
O meio do ano foi o período em que o custo atingiu seu pico, segundo a entidade. Nesse momento, muitos produtores tiveram que repensar como fazer o plantio no ciclo. O produtor Luiz Carlos Machado, por exemplo, decidiu investir apenas o estritamente necessário. Áreas que não atingem seu teto produtivo não foram semeadas, para não onerar o custo daquelas que estão pagando suas despesas.

Outro fator que trouxe problema para a implantação da cultura nesta safra foi o clima. A chuva constante e volumosa que caiu bem na época de semeadura acabou atrasando o plantio em importantes regiões produtoras.

Quanto menor a produção deste ano, melhor a perspectiva para o preço do ano que vem

Entre outubro e setembro, o cenário de lavouras alagadas se repetiu em quase todas as regiões produtoras gaúchas. Segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), metade dos produtores plantou fora da janela ideal e vai colher menos. Pesquisador da entidade, Rodrigo Schoenfeld estima uma redução de 8% a 10% na produção total por conta disso, o que significa entre 800 mil e um milhão de toneladas em relação a um ano de condições climáticas normais.

Não bastassem essas dificuldades, as importações de arroz do Paraguai também trouxeram fragilidade à cadeia. Em novembro, o setor viu motivos para pedir salvaguarda a Brasília. Na época, o vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, afirmou que o produto importado entrava no Brasil por um valor inferior ao custo de produção nacional, e também abaixo do preço mínimo da época, de R$ 35 a saca, causando graves danos ao rizicultor do país.

Mas 2018 guarda melhores surpresas para os produtores, de acordo com o economista da Farsul. Ele aponta uma melhora significativa no mercado internacional, com expectativa de queda de produção do arroz mundial – os Estados Unidos, por exemplo, principal concorrente do Brasil, teve grandes perdas na colheita, diz Antônio da Luz. 

No mercado interno, ainda há indefinição. “A gente precisa ter uma diminuição da produção. Quanto menor a produção deste ano, melhor a perspectiva para o preço do ano que vem”, diz o economista.

O setor produtivo se mantém receoso. O produtor Luiz Bredow reflete o sentimento da maioria de seus colegas, com pouco otimismo e previsão de baixo investimento – sua área de produção, que ocupa 430 hectares, deve encolher gradativamente a partir de 2018. Conforme forem vencendo os contratos de arrendamento, a ideia é ir entregando a terra ao proprietário.

Nome:

Email:

Deixe um comentário:

Escreva os números da imagem:

últimas notícias

Previsão para hoje -


▲ Máx
▼ Min




Confira a previsão dos próximos dias

Fonte: Somar Meteorologia