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CRISE

Mapa garante que delações não afetarão Plano Safra

O projeto está na mão do Poder Executivo e  não precisa de apoio do Congresso para avançar

O envolvimento do presidente Michel Temer nas delações da JBS colocam em risco propostas que afetam diretamente o agronegócio, como as reformas trabalhista e previdenciária, além das negociações do Funrural. Entre os especialistas, a avaliação é de que o Plano Safra não deve ser afetado pela crise, pois está nas mãos do poder executivo, não precisam de apoio do Congresso.

Neste sentido, o Ministério da Agricultura está otimista e acredita que vai conseguir seguir o cronograma planejado e anunciar as medidas na primeira semana de junho. “A equipe técnica, tanto do ministério da Fazenda, quanto do ministério da Agricultura, estão bem alinhados no sentido da convergência de fazer o Plano Safra sair até, no máximo, a primeira semana de junho.Nós estamos trabalhando com muita tranquilidade para anunciar o volume de recursos e  taxas de juros para o agente financeiro já estar com a parte legal nos bancos pra liberar os recursos, pra não ter nenhum dia de interrupção desse importante programa pra economia do Brasil”, disse o secretário de Política agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller.

Quando o assunto, no entanto, envolve a participação do Congresso, o tema se torna mais nebuloso. A reforma trabalhista e a situação do Funrural. “Todas essas negociações que vinham acontecendo com esse governo, a gente vê que não vão avançar. Quando vemos a necessidade das questões trabalhistas, que é importante, e não deve avançar mais.Tudo que está se construindo para a evolução do agro com relação a um plano agrícola que seja condizente com a necessidade do produtor não vai avançar”, lamentou o presidente da Aprosoja Mato Grosso do Sul, Cristiano Bartolotto.

O acordo entre bancada ruralista e governo federal para criar uma nova alíquota e refinanciar o passivo do Funrural já foi afetado. O Ministério da Fazenda suspendeu a reunião que estava marcada para esta semana sobre o tema e, no auge da crise, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Nilson Leitão (PSDB-MT) admitiu que a discussão parou. “O Brasil parou nesses dois dias e não vai acontecer nada até segunda ou terça. Não deveria, mas essas são as consequências de tudo aquilo que já vem ocorrendo nos últimos anos”. 

Já para a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a crise veio como uma boa notícia para o setor. “Nós somos contra as reformas e, na crise que nós estamos vivendo, fazer reformas trabalhistas e previdenciárias só vai prejudicar o trabalhador. Portanto, não fazer as reformas pra gente é importante e essa nova crise acaba ajudando, pois achávamos que íamos derrotar as reformas, mas agora temos ainda mais certeza disso”, falou Aristides Santos, presidente da Contag.

Mercado financeiro

Para o economista Gil Castello Branco, com a paralisação das reformas, os efeitos no mercado financeiro ficarão cada vez piores. “Sob o ponto de vista da economia, o ideal seria que ele tivesse renunciado. Pela gravidade dos fatos, dificilmente serão absolvidos, seja pela classe política ou pela própria sociedade. Todos esses fatos multiplicam as incertezas e isso é muito ruim para a economia brasileira, inclusive para o agronegócio”, disse.

Para a cientista política Deborah Celentano, as reformas só vão ser retomadas com a saída do presidente Michel Temer do governo. Segundo ela, se uma possível nova eleição for indireta, as chances dos projetos serem aprovados são grandes. “Se o presidente sair, com as eleições indiretas, você vai ter um novo ator ocupando o executivo nacional que seria muito alinhado à posição do presidente, pois as eleições indiretas são escolhidas pelo Congresso, que tem escolhido para presidente da Câmara ou do Senado atores com o mesmo viés político do presidente.”

Vídeo

Nos vídeos liberados pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta, dia 19, Joesley Batista, presidente do grupo J&F, que controla a JBS, fala sobre as dificuldades para federalizar a inspeção. "Precisamos melhorar a qualidade da inspeção brasileira, com todos os frigoríficos seguindo o mesmo padrão."

Em outro trecho, o empresário descreve como foram os contatos para que o ex-deputado Eduardo Cunha facilitasse a desoneração da folha do setor de frango. "Ele pediu dinheiro para comprar deputados. O dinheiro sempre era para uma terceira pessoa."

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Fonte: Somar Meteorologia