Cisternas garantem acesso à água no semiárido de Sergipe

No Estado, 17 municípios estão em situação de emergência por causa da secaEm Sergipe, 17 municípios estão em situação de emergência por causa da seca. Nas comunidades rurais que não têm água encanada, o cenário é ainda mais grave. Mas um programa de distribuição de cisternas tem amenizado a situação vivida por pequenos agricultores. No Estado, já são mais de quatro mil cisternas instaladas.

O milho que Isabel Marta Silva Santos dá para as galinhas, os patos e os perus vem da roça nos fundos do quintal. Neste ano, ela espera colher nove sacas. É milho para alimentar os animais e também para o consumo da família. A planta resiste ao clima seco da região do baixo São Francisco sergipano.

– Aqui é só água de chuva, quando Deus manda. Isso aqui a gente plantou no dia 15 de São João. Aí pegou uma chuva boa e ele deu bom sabe – conta a produtora rural.

A água que dona Isabel usa para os serviços da casa e para beber, também vem da chuva e fica armazenada em uma cisterna.

– Se tivesse água encanada… Mas a caixa também valeu. Valeu mais que a água encanada, que não chegou ainda, e a caixa chegou primeiro. A água está aí. A gente já prevenido, não é não? – diz ela.

Na zona rural de Propriá (SE), ao lado de cada casa tem uma cisterna. Essa mudança na paisagem representa também uma mudança de hábito para os moradores. Agora, eles têm uma reserva dentro do quintal. Antes, muitos tinham que ir até o rio mais próximo para conseguir água. Na região, os agricultores caminhavam até o rio São Francisco, a oito quilômetros da margem até a roça.

Geraldo Pedro dos Santos não precisava ir até o rio, ele pegava o carrinho de mão e caminhava até um pequeno lago para conseguir água. Mas para isso tinha que contar com a sorte.

– Tem ano que seca. O ano passado secou, não ficou nem um pingo aqui – conta o agricultor familiar.

Seu Geraldo dá água para os animais, para que eles não passem sede no calor que faz na região, e sempre leva água para o gado. Ele também ajuda a mulher a debulhar o feijão que eles mesmos plantaram. O trabalho é feito na varanda, eles aproveitam a sombra em mais um dia de calor. O telhado que protege do sol também é um aliado nos dias de chuva, as calhas na beirada das telhas levam até um cano ligado a cisterna de 16 mil litros e com uma bomba manual, dona Maria Carmelita Fernandes enche o balde. As cisternas são distribuídas gratuitamente pelo programa Água para Todos, do governo federal.

– Pra participar do programa, a pessoa precisa estar inscrita no CAD único, que é o cadastro que informa que ela participa dos programas sociais do governo, tem uma renda per capita de até R$ 140, é morador da zona rural e não tem acesso à água. Uma pessoa em situação de risco hídrico – informa Renato da Silva Barbosa, coordenador de Assistência Técnica da Acqualimp.

Mesmo com as cisternas, essa gente valoriza ao máximo a água que tem e continua guardando como pode. Dona Maria tem 65 anos, quem viveu uma vida inteira rezando por uma chuva, não esquece disso tão fácil.

– Ave Maria! Água é tudo pra gente. Quando chove, vamos pegar água, minha gente. Eu encho toda garrafinha pequena. Enchendo as caixas e eu enchendo. Aproveitar pra não perder.