Especulação sobre efeitos da epidemia de ebola na África faz disparar cotação do cacau

Operadores e investidores estão chamando movimento de alta de "Prêmio Ebola"O mercado de cacau enfrentou ao longo do ultimo mês um forte "rali" por causa das especulações dos efeitos da epidemia de ebola na África. Os operadores e investidores estão chamando esse movimento de alta de "Prêmio Ebola".

Os rumores de um possível corte no fornecimento de cacau pela África não pararam as máquinas por onde são descascadas e processadas 8 mil toneladas de amêndoas por ano. Instalada há nove anos na cidade de Rio das Pedras, interior de São Paulo, a indústria não depende das importações. Utiliza 100% do cacau produzido aqui mesmo no Brasil, parte do Pará e outra da Bahia. apesar de atuar no segmento de cacau orgânico, com certificação de origem a empresa fica refém das cotações internacionais da commodity.

A safra de cacau na Costa do Marfim começa em outubro. Junto com Gana, os dois países respondem por 60% da produção mundial da amêndoa. Não bastasse a instabilidade política do país, a epidemia de ebola em alguns países vizinhos tem contribuído para aumentar a volatilidade de preços desse mercado, que tem fundamentos baixistas com clima favorável e expectativa de safra recorde.

A última vez que a Costa do Marfim interrompeu a produção foi entre 2010 e 2011, durante a Guerra Civil, período em que as cotações atingiram as máximas em 32 anos. Uma nova interrupção no fornecimento provocaria uma disparada das cotações em um mercado onde a demanda recorde por chocolate está pressionando a oferta.

Desde março de 2013 os preços estão em alta. Em setembro de 2013, a cotação da amêndoa era de aproximadamente US$ 2,6 mil/t. Em setembro de 2014 chegou aos US$ 3,35 mil/t, valorização de US$ 750 em um ano.

Assista à reportagem:

Clique aqui para ver o vídeo