Preço das hortaliças dobra em São Paulo devido à estiagem

Sensíveis às altas temperaturas, algumas culturas não estão mais sendo produzidas por não suportarem o calor excessivoO preço das hortaliças dobrou e o produto pode faltar no mercado, nos próximos dias, devido à estiagem em algumas regiões do país. Sensíveis às altas temperaturas, algumas culturas não estão mais sendo produzidas por não suportarem o calor excessivo. No interior de São Paulo, teve produtor que já pensou em desistir da lavoura.

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O produtor rural Marcelo Cabral de Campinas (SP) estava programando tirar cerca de 28 mil pés de alface nesta remessa, mas não conseguiu mais que 14 mil pés. A mesma alface que era comercializada a R$ 0,70 o molho, agora está saindo por R$ 1,25 devido à estiagem na região.

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Cabral conta que vem perdendo 50% da produção, desde dezembro, e que choveu apenas 20% do que ele esperava.

Na propriedade de Cabral, a escassez de água impediu os planos do produtor, que já pretendia estar com sua área toda plantada há pelo menos 20 dias. Só de uma área da propriedade, ele vai deixar de colher mais de 80 mil pés de alface. A situação ficou tão complicada que o produtor pensou em abandonar a cultura. A falta do produto vai refletir ainda mais nos próximos 30 dias.

– Pensei em abandonar porque não chovia, então era melhor parar por causa dos prejuízos – relatou Cabral.

As chuvas que caíram, no último final de semana, na região, não foram suficientes para abastecer os reservatórios e animar o produtor. Metade dos funcionários já foram demitidos por falta de demanda dentro da propriedade. Nos 25 anos que Cabral cultiva a hortaliça, ele nunca viu uma situação como essa. 

– A planta suporta até 28°C, mas as temperaturas têm ficado acima de 35°C. As chuvas nos últimos dias não resolveram muito – afirmou Cabral, que irá plantar, mas com muito receio.

Na Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), algumas hortaliças dobraram de preço. Os principais produtos que sofreram reajuste foram as folhosas, como alface e rúcula. Legumes como chuchu, berinjela e jiló, que são mais resistentes, também sofreram reajuste e apresentaram alta de 45%.

– Nos últimos meses, a oferta reduziu cerca de 20% do normal e isso fez o preço disparar – explica o economista do Ceagesp, Josmar Macedo.

Para o economista, mesmo que o regime de chuvas se normalize, os preços ainda devem se manter em alta nas próximas três semanas.

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