O desestímulo está levando o produtor a ser mais cauteloso na hora de fazer a venda futura. O cenário é comprovado por dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgados nesta semana e que apontaram um número de contratos antecipados bem inferior aos do ano passado.
A única solução para uma reviravolta nesse mercado tão desfavorável para a soja brasileira seria um problema climático na supersafra norte-americana que está sendo colhida.
A falta de umidade fez o produtor rural Carlos Alberto Schneider interromper a semeadura da soja. Dos 400 hectares da propriedade ainda falta semear metade da área.
– As chuvas começaram um pouquinho mais cedo do que o normal, porém elas não são regulares – comenta o produtor.
Silvino Alcides Bortolline também espera pela chuva. O produtor deve cultivar nesta safra 3,3 mil hectares de soja na propriedade localizada em Jaciara. Desde que ele começou a plantar, no último dia 26 de setembro, já conseguiu semear 2,3 mil hectares.
– Nós achamos que as chuvas estão um pouco fracas, mas até que rendeu. O produtor está assim, olhando para cima, olhando se a chuva vem ou não vem, A plantadeira está aí, até abastecida com o adubo, esperando molhar a terra. Caiu a chuva entra no mesmo dia ou no outro dia – diz.
Segundo dados do Imea, até agora foram semeados menos de 5% dos mais de 8,8 milhões de hectares que estão estimados para este ciclo. Apesar do atraso, o que mais chama a atenção é o ritmo de comercialização da soja: apenas 11% da safra foi vendida antecipadamente. No mesmo período do ano passado o índice estava em 38%.
– Isso não é normal em Mato Grosso, porque o produtor tem a mania de fazer a venda antecipada, pelo menos para defender o custo de produção. Esse ano, pelo que se nota, muitos deixaram de fazer, esperando um preço melhor, ou porque perderam a hora exata de fazerem esse mecanismo de comercialização. Apenas o adubo já foi pago antecipadamente. Parte dos defensivos foi financiada e será paga entre os meses de abril e outubro do ano que vem, então é algo incerto ainda o que a gente vai receber pelo nosso produto. Quer dizer, você está indo para o risco. – explica Schneider.
– A situação do preço está muito fria, está muito sem sal, não tem gosto. Está muito baixo, não tem como a gente comercializar alguma coisa antecipado, porque não tem comprador. Nós não estamos fazendo nada, apenas se preocupando em fazer o plantio. Vamos procurar fazer o plantio bem feito, que é o que está ao nosso alcance, e esperar o que o mercado vai nos oferecer – comenta o produtor Bortollini.
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