Produtores de tomate de São Paulo investem em sementes mais resistentes para evitar problemas com a seca

Falta de chuva aumenta ocorrência de doenças e insetos no campo, prejudicando o rendimento da lavouraA seca está aumentando a ocorrência de doenças e insetos no campo, prejudicando o rendimento na lavoura. Em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, produtores de tomate estão investindo em sementes mais resistentes para driblar a situação.

Em uma propriedade do município com 70 mil pés de tomate, há três meses toda a lavoura foi perdida por causa de uma praga, a vira cabeça, vírus transmitido por um inseto que resseca a planta e apodrece o fruto. O geminivirus causado pela mosca branca também atacou a plantação, mas é mais fácil de ser controlado. Com o tempo seco, os insetos se proliferam mais.

– O problema não é a mosca, o problema é a mosca contaminada. Como não teve quebra de ciclo, ela está se reproduzindo já há um tempo avançado. Como não teve um inverno rigoroso, não teve um verão chuvoso, ela já vem com cruzamentos e vem pegando várias plantas contaminadas. O volume de mosca contaminada na região esse ano é muito grande e é o que está causando esse distúrbio de geminivirus para todo lado – afirma o técnico agrícola Carlos Eduardo de Paula.

Com os vírus, o jeito foi diminuir o tempo entre uma pulverização e outra. Além disso, 10 mil sementes resistentes foram plantadas, que até o momento, produziram plantas com 100% de aproveitamento.

Para evitar outro prejuízo, o produtor pretende plantar no próximo ano todas as sementes resistentes. O valor do pé vai encarecer 5%, mas, por outro lado, as perdas na lavoura devem diminuir.

– As empresas de sementes estão trabalhando a evolução da resistência, ou seja, o cruzamento entre plantas resistentes. Isso vai agregar sanidade na planta, ou seja, não vai diminuir a produção e, no caso, reduzir um pouco a aplicação de defensivos, no caso para insetos, inseticidas. É uma tendência – diz de Paula.

Preços em alta

O aumento dos custos de produção e a pouca oferta em toda a região elevaram os preços do tomate. No ano passado, o produtor Roberto Girardi vendia uma caixa de 20 quilos de tomate por R$ 12,50. Agora, como a produção caiu pela metade, a mesma caixa é vendida pelo triplo do valor.

– Lá na Ceagesp eles estão pagando R$ 30, R$ 35, às vezes até R$ 40. Mas não sabemos se isso vai aguentar. O mercado é ingrato: sobe, desce, sobe, desce, vacila muito – comenta Girardi.

Na Ceagesp, a expectativa é que os preços se mantenham estáveis com a chegada do tomate rasteiro ao mercado. A variedade tem se adaptado bem ao clima seco.

Para o produtor, o lucro só deve vir se os preços permanecerem como estão.