Presidente da ABPA pede que produtor reforce controle para afastar influenza aviária | Canal Rural

Presidente da ABPA pede que produtor reforce controle para afastar influenza aviária

Estimativa é que 600 mil toneladas de carne deixem de ser adquiridas das nações que notificaram o registro da doença em 2017

Fonte: Pixabay

Os recentes registros de influenza aviária no mundo estão mexendo com o setor de avicultura. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já foi procurada por países que deixaram de comprar carne de frango de mercados onde houve casos da doença para saber se o Brasil tem condições de suprir a demanda. Conforme Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA, cerca de 600 mil toneladas devem deixar de ser compradas neste ano de nações que notificaram o registro da influenza aviária.

“O Brasil, conservando a sanidade, tem grande chance de capturar boa parte dessa quantidade. Em 60 dias, temos condições de nos rearticular para atender parte da nova demanda”, disse Turra nesta quarta-feira, dia 26, em Porto Alegre, em evento organizado pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) para alertar sobre o risco da doença em razão de casos comunicados pelo Chile no início deste mês.

Conforme o governo chileno, a influenza aviária registrada seria a de baixa patogenicidade. No entanto, Turra foi enfático ao alertar que o avicultor brasileiro não pode baixar a guarda. Pelo contrário, precisa reforçar todos os controles sanitários na sua produção para afastar qualquer risco. A primeira medida é proibir a entrada de pessoas estranhas nos aviários ou mesmo que tenham vindo de viagem.

A influenza aviária tem disseminação muito rápida em lotes de aves, afetando múltiplos órgãos e apresentando alta mortalidade, conforme informações do Ministério da Agricultura. Além das mortes, animais nas proximidades do foco precisam ser sacrificados. De acordo com Turra, o Chile abateu preventivamente 150 mil perus. Depois de realizar novo teste e confirmar a doença, determinou o abate sanitário de mais 200 mil aves, que precisam ser descartadas.

“Lembram da febre aftosa registrada no Estado? Até hoje pagamos o preço porque um dia tivemos aftosa aqui”, comparou Turra.

Em sua palestra, o presidente-executivo da ABPA informou que o Brasil é líder mundial em exportação de frango desde 2005 porque houve registro de doenças em países e essas nações se viram obrigadas a deixar de vender. O cenário pode voltar a ser favorável para o Brasil. Porém, reafirmou Turra, o avicultor não pode descuidar dos controles em sua propriedade.

“O Brasil, com esse status sanitário, é uma referência no mundo. Material genético, por exemplo, incrementamos muito a venda, incluindo ovos férteis. E há muita procura de países que jamais se imaginou, como a Rússia e o Egito. Não é só frango que vamos exportar, mas material genético. E o Rio Grande do Sul, que é um grande produtor, tem de se desdobrar para tomar cuidado, porque grande parte do comércio do Chile passa aqui pelo Estado, incluindo o fluxo turístico”, enfatizou o presidente-executivo da ABPA.

Conforme Turra, sem o registro da doença, o Brasil ganha duas vezes: não perde a sua produção e ainda conquista espaço no mercado internacional deixado por países que registraram a doença.

“A carne de frango brasileira está presente em 69% dos países europeus e 100% do Oriente Médio. Não dá para perder esse mercado”, destacou.

O presidente-executivo da ABPA informou ainda que na próxima semana irá ao Uruguai para mostrar os cuidados sanitários adotados no Brasil e que possam ser replicados no país vizinho.

“Temos de fazer como um exercício de prevenção de incêndio. Não vai ter incêndio, mas temos de nos preparar como se houvesse.”

Sair da versão mobile