
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram sem direção única nesta terça-feira (9), depois de apagarem o alívio observado no início do pregão. O movimento ocorreu em meio à queda do petróleo, à continuidade de ajustes técnicos na curva e à reavaliação das apostas para a trajetória da taxa Selic. No fim da sessão, os vértices intermediários e longos fecharam próximos da estabilidade em relação ao ajuste anterior.
Na primeira etapa do dia, a curva de juros futuros cedeu com apoio do recuo do petróleo Brent, que fechou agosto em queda de 2,97%, a US$ 91,45 por barril. A leitura do mercado era de que um possível acordo entre Estados Unidos e Irã poderia ampliar a oferta global de petróleo e reduzir pressões inflacionárias.
O alívio, porém, perdeu força ao longo da tarde. Segundo profissionais do mercado, o movimento refletiu principalmente a zeragem de posições aplicadas, estratégia que aposta na queda das taxas futuras, e uma nova reprecificação das expectativas para a Selic. Ao fim do dia, o DI para janeiro de 2027 passou de 14,473% para 14,48%. O DI para janeiro de 2029 saiu de 14,928% para 14,92%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 foi de 14,774% para 14,755%.
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Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, a oscilação teve caráter mais técnico do que associado a notícias domésticas ou externas. A instituição discute a possibilidade de manutenção da Selic em 14,50% por um período mais prolongado, diante da incerteza sobre o espaço para cortes de juros.
Em relatório, o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, afirmou que o Banco Central (BC) deveria manter a Selic em 14,50% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No mercado de títulos públicos, o Tesouro ofertou 150 mil Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), com absorção de 133,4 mil papéis.
Para o setor agropecuário, o comportamento da curva de juros é relevante porque influencia o custo de captação, o crédito e as decisões de investimento de produtores, cooperativas e agroindústrias, especialmente em um ambiente de financiamento ainda pressionado por taxas elevadas.
O foco do mercado segue na próxima decisão do Copom e na sinalização do Banco Central sobre a duração do atual patamar da Selic. Sem mudança clara nos fundamentos locais nesta terça-feira (9), a sessão indicou que os juros futuros continuam sensíveis a fatores técnicos e à revisão de posições.
Fonte: Estadão Conteúdo