Preços do boi gordo começam a ceder

Combinação de recuo nas compras de frigorífico, queda no consumo de carne e melhor oferta de animais pressiona cotações

A cotação do boi gordo começa a apresentar sinais de recuo, puxada pela redução nas compras dos frigoríficos, queda do consumo de carne e melhora na oferta de animais prontos. O levantamento é da Scot Consultoria.

– Esses fatores, somados, diminuem a pressão de compra das indústrias, que baixaram as ofertas de compra. Em São Paulo, é comum a aquisição de animais em estados vizinhos a preços mais competitivos – diz trecho da análise.

Diante da possibilidade de novas quedas nos preços, alguns pecuaristas estão entregando mais animais às indústrias. Segundo a Scot, a oferta de boiada de confinamento já compõe as escalas “com certa relevância”.

Para o curto prazo, a expectativa do mercado é de persistência da pressão de baixa nos preços.

Unidades paradas

A melhora na oferta de animais prontos para o abate deve ajudar a desacelerar o fechamento de frigoríficos, cujas atividades no primeiro semestre foram bastante prejudicadas pela falta de bovinos.

Em Mato Grosso, sete unidades frigoríficas foram fechadas na primeira metade do ano, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em 18 meses, o número de plantas desativadas sobe para nove.

Apenas 64,3% de toda a capacidade frigorífica instalada do estado está em operação em julho, com a média de utilização atingindo 51,9%. O volume de abates no primeiro semestre ficou 16,15% abaixo que o registrado no mesmo período de 2014.

Eficiência

Apesar de a situação da indústria de frigoríficos em Mato Grosso ser complicada, o Imea constatou que o abate de animais com até 36 meses de idade está representando uma parcela cada vez maior do total abatido.

No último ano, essa faixa etária representou 59,4% de todos os animais abatidos no estado, um aumento em relação à média de 48,7% registrada nos últimos dez anos.

O Imea apurou ainda que o peso de abate do gado bovino aumentou 8,6%, dividindo a quantia de carne bovina por cabeças abatidas. A média de peso por cabeça em 2014 foi de 16,5 quilos a arroba por cabeça no estado, enquanto a média nacional foi de 15,87 quilos a arroba por cabeça.

Segundo o estudo, esses aumentos demonstram que o setor de bovinocultura de Mato Grosso melhorou sua eficiência e produtividade, gerando aumento de rentabilidade.