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SEGUNDA SAFRA

Milho: com safra maior e pouco armazém, produtores de MS têm dificuldade para negociar

Além de sofrer com pressão dos preços, agricultores do estado devem ter aumento de 30% na produção do grão

A produção da segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul deve ter um aumento de 30% em relação ao ano passado. Mas, além da pressão nos preços por causa da oferta maior, os produtores estão preocupados com a falta de armazéns para estocagem dos grãos.

O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Lúcio Damalia, afirma que a capacidade estática de armazenagem no estado é pequena. “Nós temos uma logística péssima e, para agravar, o preço caiu, tanto da soja quanto do milho, e nós temos excesso de produção, além de queda do dólar”, enumera. 

Damalia diz que o preço muito baixo ofertado pelos grãos inviabilizou a comercialização. À espera de que a cotação subisse, muito agricultor ficou com produto estocado.

Na safra passada, Mato Grosso do Sul colheu 7,6 milhões de toneladas de soja, com rendimento médio de 51,5 sacas por hectare. Mas os números foram superados e o estado registrou novo recorde de produção. De acordo com a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso de Sul (Aprosoja-MS), as lavouras renderam 8,49 milhões de toneladas, e cada hectare plantada na atual temporada rendeu em média 56,2 sacas.

O presidente do sindicato de Dourados afirma que ainda há uma tonelada de milho do ano passado no estado, além de 3 milhões de toneladas de soja desta safra. “E nós esperamos uma produção de milho 30% maior do que foi no ano passado”, diz.

Estimativas apontam que a produtividade do milho de segunda safra em Mato Grosso do Sul deve chegar a 85 sacas por hectare. O número é 45% maior do que o resultado da temporada anterior. Ao todo, o estado deve produzir mais de 9 milhões de toneladas do grão, mas os preços em baixos níveis no mercado interno têm travado a venda antecipada.

Até a segunda quinzena de maio, a comercialização no estado chegou a 14,88%. No mesmo período do ano passado, esse total era de 44,89%. Já em Dourados, um dos principais municípios produtores do estado, o sindicato rural diz que a comercialização está em torno de 10%, contra 40% no mesmo período de 2016.  Uma das alternativas é estocar os grãos em silos-bag.

“Esperamos que seja uma colheita complicada, vamos ter que ir colhendo e transportando, tirando para fora do estado. Vai ser um problema seríssimo”, afirma Lúcio Damalia.

O produtor Gilberto Bernardi está enfrentado esse problema. Sua expectativa é colher cerca de 100 mil sacas de milho. Agora, corre contra o tempo, tentando agilizar a comercialização de soja, mesmo que com algum prejuízo ou com lucratividade menor, para não ter problemas de armazenagem. “Minha capacidade estática não é suficiente por hora para guardar as duas safras, de soja e de milho”, afirma.

Bernardi não se sente atraído por outras alternativas, como o uso de silo-bag. “Além de nós não termos know-how para isso, eu também vejo alto risco de perdas desse produto”, conta.

O consultor em agronomia Angelo Ximenes, no entanto, acredita que nem tudo está perdido. Seu conselho é o de que o produto fique ainda mais atento ao mercado. Quem ainda está com o produto deve, segundo ele, fixar o preço, sem precisar vender. As opções são trocar os grãos por insumos ou passá-los para uma trading. “Se houver algum repique de preço em função do clima na safra norte-americana, o produtor brasileiro pode também pegar essas ofertas de preço e também comercializar”, afirma Ximenes.

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Fonte: Somar Meteorologia