Queda no consumo de cigarro está prejudicando fumicultores

Agricultores estão diversificando as atividades para não terem prejuízo 

Fonte: Canal Rural

O cultivo de fumo é o sustento de muitos pequenos agricultores em várias regiões do país, mas nos últimos anos, com a queda no consumo, os produtores tiveram de se adaptar aos novos tempos.

Na última safra, o Brasil produziu 712 mil toneladas. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os maiores produtores, com destaque para o estado gaúcho, responsável por mais da metade da produção nacional.

No município de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, mais de 3,4 mil famílias tiram da cultura o seu sustento. Nos últimos anos, porém, a atividade está perdendo força por causa da diminuição do número de fumantes. Para não perder lucratividade, muitos produtores estão apostando na diversificação de culturas. Na propriedade de Flávio Stumm, em Vera Cruz, cidade vizinha a Santa Cruz do Sul, as culturas de fumo, tomate e morango ficam juntas e são as responsáveis por sua renda no final do mês.

– O moranguinho já faz oito anos que eu tenho, tomate faz três anos que eu estou começando, e eu quero ver se eu consigo parar de plantar fumo. Para mim será melhor também, não dá tanto sofrimento com a venda do fumo – afirma.

O espaço dedicado ao tabaco na propriedade de Stumm já diminuiu. Dos 95 mil pés da temporada passada, agora são 50 mil. Para a safra que vem, o produtor pretende reduzir ainda mais a área dedicada à cultura, até que onde hoje se vê tabaco fique ocupada pelo milho.

– O que mais desanima [na cultura] é a parte da venda para mim, minha parte, né? O preço é muito, muito negativo na firma, né? Eles fazem a classe conforme o preço que eles quiserem – diz o produtor.

Em Santa Catarina, a maior produção está no Planalto Norte, no município de Canoinhas. A cadeia do fumo é a segunda mais importante em número de produtores. A área plantada diminuiu 8% em relação à última safra, mas a queda não é um problema, segundo o assessor técnico da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Santa Catarina (FEATESC), Irineu Berezanski.

– A produtividade vem aumentando. Isso para nós é gratificante visto que, esse nosso agricultor, com a tecnologia que ele está adotando, ele está tendo menor custo e, consequentemente, o melhor resultado. Então o panorama que a gente observa na questão do tabaco é uma diminuição de área, mas por outro lado um aumento de produtividade – afirma.

O agricultor Marcos Alberto Soares possui cinco hectares de fumo em sua propriedade. A cultura é a principal atividade e fonte de renda de sua família, assim como para a maioria das pessoas em Canoinhas, mas não é a única, com alguns hectares reservados para flor.

Não muito longe da propriedade de Soares, outros produtores preferem investir apenas no fumo. É o caso de Célio Vieira do Nascimento, que já teve plantação de milho, feijão e soja, mas há sete anos viu que a rentabilidade do tabaco é bem maior.

– O custo do tabaco está sendo mais favorável para nós, e não é tanto. [tendo] Em vista hoje as lavouras de soja, para plantar soja hoje é três, quatro aplicação de fungicida. Herbicida, também tem que estar aplicando, né? Então se torna muito caro a lavoura de soja, de feijão, para você fazer hoje – afirma.

Para evitar prejuízos com a atividade, o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, recomenda que os agricultores diversifiquem as culturas plantadas nas propriedades, controlando a oferta de tabaco.

– Por isso que a gente tem que estar muito atento ao consumo do cigarro, para que nós lá no campo não tenhamos uma superprodução, e aí sim nós termos prejuízo na parte produtiva – diz.