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Segundo os números divulgados nesta quarta, dia 28, pela Abimaq, o saldo da balança comercial de máquinas e equipamentos em abril foi deficitário em US$ 1,346 bilhão. Apesar das quedas nas comparações com o ano passado, em relação a março deste ano o deficit subiu 1,5%. No quadrimestre, o resultado do setor foi deficitário em US$ 5,697 bilhões.
– É difícil falar em tendência, mas, no meu entender, as importações este ano continuarão inferiores em relação ao ano passado, mas não porque estamos vendendo mais e sim porque o Brasil está investindo menos – explica.
De acordo com a Abimaq, as importações caíram 5,3% nos quatro primeiros meses de 2014 ante o mesmo período de 2013, alcançando o montante de US$ 10,012 bilhões. Já as exportações, na mesma base de comparação, subiram 26,7%, chegando a US$ 4,315 bilhões.
– O setor já exportou 40% acima da média da indústria e com o tempo veio perdendo espaço. Nossas exportações não são generalizadas, correspondem a quatro ou cinco empresas que investiram no país e agora não querem perder a posição alcançada – afirmou o presidente eleito da Abimaq, Carlos Pastoriza.
Segundo o executivo, as exportações brasileiras estão basicamente sendo sustentadas pelos Estados Unidos. Na comparação do primeiro quadrimestre deste ano com o de 2013, as vendas para os norte-americanos cresceram 76%, enquanto que para a América latina, no mesmo período, caíram 7%.
– Temos a esperança de manter um nível razoável nas exportações – diz Bernardini.
O diretor de competitividade diz que outro número que corrobora a ideia de que o setor está estagnado é observar a queda de 30,6% no faturamento das vendas para o mercado interno neste quadrimestre em relação a 2013.
Faturamento
A indústria de máquinas e equipamentos fechou o mês de abril com faturamento bruto real de R$ 6,078 bilhões, aumento de 5,1% ante março. Na comparação com abril de 2013, o faturamento bruto real registrou recuo de 14,5%. No acumulado do primeiro quadrimestre, o faturamento bruto do setor caiu 10,7% quando comparado com o mesmo período de 2013, para R$ 22,525 bilhões.
O consumo aparente de máquinas e equipamentos atingiu R$ 9,068 bilhões em abril, alta de 2% ante março. Em relação a abril de 2013, houve queda de 15,8%. No acumulado do primeiro quadrimestre, houve uma retração de 8,1% no consumo aparente na comparação com igual período de 2013.
Os dados da Abimaq mostram ainda que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor fechou o mês de abril em 75,7%, superior aos 75,2% registrados em abril de 2013. Em março, o Nuci havia ficado em 75,5%. No mês passado, o setor somou 251.963 empregados, número 0,6% inferior ao auferido em março.
Desoneração
desoneração da folha de pagamento
Segundo Pastoriza, que toma posse na entidade em julho, e que esteve reunido por três vezes nas últimas semanas com a presidente Dilma Rousseff e outros empresários da indústria, finalmente o governo mostrou que está receptivo e “de fato preocupado a reagir e atender nossas demandas”, disse.
O diretor de competitividade da Abimaq, Mario Bernardini, também exaltou a decisão de manutenção do benefício na folha de pagamento e disse que a medida torna a indústria mais competitiva tanto no mercado externo como interno.
– Em média, no nosso setor 90% dos produtos, ou seja, 90% das empresas, estão desoneradas – diz.
Novos pleitos
Pastoriza afirmou que por meio da Abimaq, na reunião de ontem com Dilma, foram apresentados novos pleitos do setor.
– Também pedimos que o PSI-Finame seja perenizado e que o programa Reintegre volte a existir.
Segundo o dirigente, o governo se comprometeu que “em duas ou três semanas” daria respostas às demandas.
O presidente da Abimaq disse ainda que a sugeriu que o governo faça alterações no novo Refis, que está sendo debatido no Congresso essa semana.
– Tentamos sensibilizar de que a previsão de pagamento de 10% de entrada para renegociar a dívida é algo muito alto. Propomos que essa entrada fosse reduzida para 5% no máximo e ainda sim parcelada em várias vezes.
Outro pedido feito pelo setor e que a presidente teria prometido estudar refere-se à necessidade de modernização do parque fabril brasileiro.
– Essa foi a proposta que mais entusiasmou a presidente – disse. Segundo Pastoriza, a ideia é que o governo dê suporte para a renovação dos maquinários, garantindo, por exemplo, o descarte desse material velho.
De acordo com Pastoriza, o parque fabril brasileiro hoje é completamente defasado.
– Nossas máquinas têm uma média de idade de 17 anos de uso. Na Alemanha, por exemplo, esse tempo de uso é de 4 anos – compara.
Segundo o executivo, já há reuniões agendadas com membros do governo na semana que vem para começar a desenhar um modelo de programa que permita essa modernização.