Após o fechamento do pregão deste dia, a Vanguarda Agro divulgou um prejuízo de R$ 70 milhões referente ao terceiro trimestre de 2011. Para Malara, isto é um indício de uso de informação privilegiada.
– Os acionistas deveriam mostrar comprometimento com a empresa, com a boa governança, mas não é isto o que está acontecendo. Eles estão prejudicando a empresa com estas operações – diz.
Malara afirma que alguns acionistas ficaram intrigados com o forte movimento do dia 14 de novembro, um dia antes de feriado, quando se esperava um mercado fraco.
– Mas a Vanguarda negociou 29 milhões de ações neste dia, 50% a mais do que o normal – aponta.
A maior parte das vendas foi efetivada via Banco BTG Pactual. Segundo o conselheiro, na busca por explicações referentes a este dia específico, o último pregão antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a empresa acabou descobrindo outras vendas de acionistas em períodos de vedação de negociações, que foi de 28 de outubro a 14 de novembro. Adriano Pivetta vendeu 5,23 milhões de ações entre os dias 7 e 8 de novembro. Já Otaviano Pivetta vendeu 7,9 milhões de ações da Vanguarda no dia 5 de dezembro, período em que havia outra vedação, em função da venda de ativos da Vanguarda Agro, a Oleoplan, ainda conforme o conselheiro.
Com base nestes indícios, Malara protocolou denúncia de uso de informação privilegiada contra os acionistas.
– Não estamos trabalhando com suposições, mas com fatos – relata.
Os acionistas Otaviano Pivetta e Helio Seibel, juntamente com Sílvio Tini, se uniram recentemente para formar um bloco majoritário e barrar a criação de um fundo de terras que fosse administrada pela Veremonte, administradora dos investimentos do megainvestidor espanhol Enrique Bañuelos.