Acionistas da Vanguarda Agro vendem 27,6 milhões de ações em períodos de vedação de negócios

Informação consta em documento produzido pela diretoria da empresa, que afirma ter havido prejuízo para acionistas minoritáriosDocumento produzido pela Vanguarda Agro e assinado por seu diretor jurídico, Cristiano Soares, e pelo presidente da empresa, Bento Moreira Franco, revela que em períodos de vedação de negociações, acionistas da empresa, como Helio Seibel, Otaviano Pivetta e Adriano Pivetta, venderam cerca de 27,6 milhões de ações, o que teria prejudicado os acionistas minoritários da empresa. Segundo o conselheiro fiscal da Vanguarda Agro, Juliano Malara, que também é acionista minoritário da empresa, este docum

Após o fechamento do pregão deste dia, a Vanguarda Agro divulgou um prejuízo de R$ 70 milhões referente ao terceiro trimestre de 2011. Para Malara, isto é um indício de uso de informação privilegiada.

– Os acionistas deveriam mostrar comprometimento com a empresa, com a boa governança, mas não é isto o que está acontecendo. Eles estão prejudicando a empresa com estas operações – diz.

Malara afirma que alguns acionistas ficaram intrigados com o forte movimento do dia 14 de novembro, um dia antes de feriado, quando se esperava um mercado fraco.

– Mas a Vanguarda negociou 29 milhões de ações neste dia, 50% a mais do que o normal –  aponta.

A maior parte das vendas foi efetivada via Banco BTG Pactual. Segundo o conselheiro, na busca por explicações referentes a este dia específico, o último pregão antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a empresa acabou descobrindo outras vendas de acionistas em períodos de vedação de negociações, que foi de 28 de outubro a 14 de novembro. Adriano Pivetta vendeu 5,23 milhões de ações entre os dias 7 e 8 de novembro. Já Otaviano Pivetta vendeu 7,9 milhões de ações da Vanguarda no dia 5 de dezembro, período em que havia outra vedação, em função da venda de ativos da Vanguarda Agro, a Oleoplan, ainda conforme o conselheiro.

Com base nestes indícios, Malara protocolou denúncia de uso de informação privilegiada contra os acionistas.

– Não estamos trabalhando com suposições, mas com fatos – relata.

Os acionistas Otaviano Pivetta e Helio Seibel, juntamente com Sílvio Tini, se uniram recentemente para formar um bloco majoritário e barrar a criação de um fundo de terras que fosse administrada pela Veremonte, administradora dos investimentos do megainvestidor espanhol Enrique Bañuelos.