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Palhas, capim e grama
– A gente via que todo esse material que a prefeitura faz a limpeza da cidade era jogado fora no lixão. Então, eu pensei: Por que não começar a usar esse material? Aí entrei em contato com alguns motoristas que já faziam esse trabalho de limpeza e eles começaram a trazer pra cá. Começamos a fazer esse trabalho intensivo de cobertura morta – conta o agricultor Losque.
Antes, a cobertura era feita com bagaço de cana, comprado pelo agricultor, e o gasto era muito maior.
– O gasto que se tem (agora) é na espalhação do capim todo, mas, em relação aquele material que se comprava de fora, eu acredito que 70% a 80% de gasto a menos. Com o uso intensivo de cobertura morta, hoje vai de três a quatro anos que eu não uso mais uma gota de adubação química. Simplesmente esse material e alguma coisa de orgânico. Então, hoje a adubação química na minha fruticultura já não é mais preciso – afirma.
Além da economia que já é percebida nas contas, a cobertura fez com que a videira nem sentisse o calorão que vem fazendo por aqui. O pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) Afonso Peche Filho, acompanhou a implantação do sistema e mostra a diferença de temperatura do solo que não possui a cobertura e daquele que recebeu o volume morto. São quase 15° a menos. A novidade produziu plantas de alto vigor, o que deve refletir na qualidade do produto.
– A tecnologia de cobertura é consolidada. A grande inovação que o Roberto Losque traz é de fazer uma alimentação contínua, ou seja, uma reposição contínua e trazer um material orgânico com diferentes formas, diferentes estágios. Então, tem material com muita liguinina, muita celulose, material já de folha, com tecidos meristemáticos, de fácil decomposição. Essa composição diversificada do material orgânico da cobertura faz com que se construa um ambiente de nutrição muito bom pra planta – esclarece o pesquisador.
Conforme Peche Filho, ainda hoje muitos agricultores têm medo de utilizar material orgânico, principalmente com muita liguinina e celulose, por conta de um amarelamento nas plantas. Esse amarelamento vem da decomposição desse material e da retirada de nitrogênio do meio. Mas, na verdade, nos solos tropicais isso não acontece, e essa diversidade da matéria orgânica vai suprindo as necessidades dos agentes decompositores de nitrogênio, sem competir com a planta. Consequentemente, não deixa a planta amarelada, garante o pesquisador.
Losque já utiliza esse sistema há cinco anos, mas nunca provou tanto a sua eficiência como agora.
– O resultado a gente está vendo justamente esse ano. Essa seca intensiva muito forte, que eu nunca vi em toda a minha vida aqui em Jundiaí, e, mesmo assim, a gente percebe que a uva está com vegetação, está com saúde por conservar a umidade do solo. Nós tivemos há uns 15 dias atrás, uma chuva de uns 10 a 15 milímetros, eu acredito. E a gente removendo agora essa palhada, se percebe que o solo está extremamente úmido. Então, isso é resultado desse material e dessa cobertura morta e, por outro lado, não há transpiração do solo, então conserva toda a umidade. Isso dá um resultado fantástico na fruticultura – comemora o agricultor.