Os agricultores são os que mais trabalham expostos ao sol. Para melhorar o quadro da doença, o deputado estadual Heitor Schuch criou a Lei do Protetor Solar, sancionada em 2010, que permitirá a distribuição gratuita do produto para trabalhadores rurais, pescadores e aquicultores no Estado.
O autor da lei explica que serão beneficiadas as pessoas suscetíveis à doença, que já apresentam problemas ou que tenham recomendação médica para usar protetor o ano inteiro.
A regulamentação e o desenvolvimento do produto, porém, são dificuldades que adiam a aplicação da legislação. O Laboratório Farmacêutico do Estado do Rio Grande do Sul (Lafergs) é o responsável pela fabricação do protetor, mas o maquinário da produção ainda deve passar por reforma, e isso depende da autorização de órgãos de vigilância sanitária, processo com data indefinida. O farmacêutico indica que o produto poderá estar disponível até o final do ano que vem.
O diretor da Lafergs, Paulo Mayorga, explica que a fórmula do produto, com fator de no máximo 30, será diferente da utilizada nos protetores das praias. O protetor destinado ao produtor rural também terá propriedades que afastam os insetos.
– A principal diferença é a adição de repelente contra os insetos e a prioridade por matérias-primas do Rio Grande do Sul, além da incorporação de um antioxidante na fórmula, tendo em vista que seus efeitos são protetores e bastante benéficos para a pele – afirma Mayorga.
Apesar dos altos índices da doença no Estado, o cenário relacionado à prevenção do câncer é preocupante.
O chefe da Emater de Venâncio Aires, Vicente Fin, acostumado a percorrer as lavouras da região, afirma que a maioria dos produtores não se protege do sol. Ele mesmo passou a se prevenir a exemplo da entidade, que disponibiliza protetores gratuitamente.
– Existe um tempo entre a informação chegar ao produtor e ele de fato assumir o uso. Mesmo próprios colegas da Emater, que distribui o produto há cinco anos, não têm o hábito de usar.
É o caso do produtor rural Marcos Antônio Schimuneck, que trabalha na lavoura de tabaco, e chega a passar seis horas sob o sol forte. O período da colheita é de outubro a fevereiro, meses onde a radiação solar está mais alta
– A gente sabe que é importante, mas não temos o hábito de usar.
Já o agricultor Jairo Rodrigues Borges demonstra mais preocupação devido às irritações que surgiram em sua pele. Ele afirma utilizar protetor solar há quatro anos e gastar R$ 12 por mês com o produto. Borges confessa, no entanto, que demorou a fazer disso um hábito por preconceito:
– Tinha vergonha, falavam que era coisa de mulher. Mas depois que eu coloquei, senti a diferença. Deixe que me chamem de mulher, eu vou é cuidar da minha pele – brinca.