As importações paulistas nos demais setores (sem incluir o agronegócio) somaram US$ 35,47 bilhões, enquanto as exportações alcançaram US$ 18,11 bilhões. O resultado foi um déficit externo desse agregado de US$ 17,36 bilhões no primeiro semestre. Segundo o pesquisador e autor da análise José Roberto Vicente, o comércio exterior paulista seria ainda mais deficitário não fosse o desempenho dos agronegócios estaduais.
As cadeias de produção do agronegócio apresentaram saldos comerciais decrescentes, totalizando US$ 5,13 bilhões no primeiro semestre deste ano frente a US$ 6,14 bilhões no mesmo período de 2011.
Os cinco principais agregados das cadeias de produção apresentaram os seguintes resultados em termos de exportações: cana e sacarídeas (US$ 2,57 bilhões), bovídeos – bovinos (US$ 1,24 bilhão), frutas (US$ 1,17 bilhão), produtos florestais (US$ 1,14 bilhão) e cereais/leguminosas/oleaginosas (US$ 900 milhões). Os cinco agregados representaram 77,6% das vendas externas setoriais paulistas, de acordo com o estudo do IEA.
Os maiores crescimentos ocorreram nas exportações paulistas de fumo (113,1%), pescado (59,5%), bens de capital e insumos (43,6%), agronegócios especiais (27,7%), cereais/leguminosas/oleaginosas (26,5%), flores e ornamentais (6,3%), frutas (2,5%) e produtos florestais (1,8%). Houve redução nas vendas externas de café e estimulantes (33,6%), de cana e sacarídeas (26,8%), de têxteis (14,8%), de bovídeos-bovinos (14,4%) e de suínos e aves (12,2%).
Cenário nacional
No caso brasileiro, as exportações do agronegócio cresceram 3,9%, para US$ 46,68 bilhões (39,8% do total), em relação ao primeiro semestre do ano anterior. Já as importações do setor diminuíram 4,4%, para US$ 14,41 bilhões (13,1% do total). O superávit do agronegócio nacional no período foi de US$ 32,27 bilhões, 8% superior ao do mesmo período do ano anterior.
Os cinco principais agregados de cadeias de produção nas exportações do agronegócio brasileiro foram cereais/leguminosas/oleaginosas (US$ 17,68 bilhões), cana e sacarídeas (US$ 4,79 bilhões), produtos florestais (US$ 4,73 bilhões), suínos e aves (US$ 4,58 bilhões) e bovídeos-bovinos (US$ 4,54 bilhões). As cadeias totalizaram 77,8% das vendas externas do agronegócio em termos nacionais.
As exportações setoriais de São Paulo representaram 19,4% do agronegócio brasileiro, ou seja, 2,7 pontos percentuais a menos do que no primeiro semestre do ano passado. Já as importações paulistas representaram 32,5% (0,1 ponto percentual inferior à representatividade verificada no mesmo período de 2011).
Fator agregado
No caso paulista, tanto os produtos básicos quanto os semimanufaturados apresentaram queda nas exportações do agronegócio de, respectivamente, 9% e 26,5%. Já os produtos manufaturados tiveram aumento de 1,7% e apresentaram a maior participação nas vendas externas (52,9%), com US$ 4,79 bilhões no primeiro semestre deste ano.
No caso brasileiro, com menor perfil de agregação de valor em relação a São Paulo, houve aumento nos produtos básicos (+10,3%) e queda nos produtos semimanufaturados (10,3%) e nos manufaturados (0,2%). Os produtos básicos, que totalizaram US$ 28,88 bilhões, mostraram a maior participação nas vendas externas setoriais (61,9%).
Entre as categorias de uso, matérias-primas e produtos intermediários constituíram o grupo predominante no primeiro semestre, com 69,2% do valor total de exportações nacionais de mercadorias do agronegócio. No caso paulista, o segmento teve participação menor (54,1% do valor total) do que a brasileira, mas ainda assim superior no estado à de bens de consumo (40,2%).
Confira a íntegra da análise.