DESTAQUE PARA SOJA E PECUÁRIA

Agronegócio lidera pedidos de recuperação judicial no Brasil em 2025, mostra levantamento

Pesquisa do Monitor RGF de Recuperação Judicial mostra que o setor concentra o maior índice proporcional de empresas em crise financeira

Foto gerada por IA.
Foto gerada por IA.

O agronegócio foi o setor com o maior número proporcional de empresas em recuperação judicial no Brasil ao fim do quarto trimestre de 2025. Os dados fazem parte do Monitor RGF de Recuperação Judicial, que acompanha a evolução financeira das empresas brasileiras a partir de informações oficiais da Receita Federal.

Segundo o levantamento, o pilar da agropecuária encerrou o período com 493 empresas em recuperação judicial, crescimento de 14,2% em relação ao trimestre anterior. O Índice RGF de Recuperação Judicial (IRJ) do setor alcançou 13,53, o mais alto entre todos os segmentos da economia analisados.

O IRJ mede a proporção de empresas em recuperação judicial a cada mil companhias em atividade. Na média nacional, o índice ficou em 2,13.

Soja e pecuária concentram os casos

Dentro do agronegócio, o cultivo de soja liderou em número absoluto de pedidos, com 217 empresas em recuperação judicial. Em seguida, aparecem a criação de bovinos para corte, com 84 casos, e o cultivo de cana-de-açúcar, com 50 registros.

De acordo com o Monitor RGF, o desempenho do setor “reforça a vulnerabilidade do segmento, pressionadas por adversidades climáticas, oscilações de preço e crédito restrito”.

Juros altos pressionam empresas

O sócio da RGF especialista em reestruturação, Rodrigo Gallegos, afirma que o cenário observado no fim de 2025 é resultado do acúmulo de dificuldades financeiras ao longo do ano. Em avaliação apresentada no relatório, ele aponta que empresas chegaram a um limite financeiro.

“Juros que seguem elevados, crédito restrito e maior cautela do sistema financeiro, em um contexto de fechamento de ano e aumento da incerteza, fizeram com que empresas chegassem a um limite financeiro”, afirmou Gallegos.

Segundo ele, o quarto trimestre “foi menos marcado por novos choques e mais pelo esgotamento das alternativas de curto prazo, em um momento crítico de fechamento de ano”.

Cenário afeta diferentes portes

O Monitor RGF indica que pequenas e médias empresas seguem mais expostas, mas grupos de maior porte também passaram a figurar entre os pedidos de recuperação judicial, inclusive no setor agropecuário. A análise considera matrizes de empresas ativas de pequeno, médio e grande portes em todo o país.

Ao todo, o Brasil encerrou o quarto trimestre de 2025 com 5.680 empresas em recuperação judicial, alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior e de 24,3% na comparação anual.