Alta nos custos com mudança do modo de produção afeta citricultores

Retomada das exportações de suco de laranja para os Estados Unidos amenizou um pouco a crise da indústriaA retomada das exportações de suco de laranja para os Estados Unidos em setembro amenizou um pouco a crise enfrentada pela indústria, mas a situação para os produtores não é animadora. Eles afirmam que os custos com a mudança do modo de produção estão bem mais altos do que a safra passada.

Desde fevereiro as indústrias brasileiras não exportavam o suco concentrado para os Estados Unidos. Naquele mês, cargas foram devolvidas depois que o governo americano detectou a presença do fungicida carbendazim em níveis superiores ao permitido. Depois de intensa negociação e uma mudança no modo de produção, o Brasil conseguiu em setembro retomar as vendas.

Apesar do retorno das vendas, as exportações foram retomadas em um nível abaixo de 2011. Com o fungicida carbendazim, o citricultor Laércio Santa Rosa gastava, em média, quase R$ 30,00 a menos por hectare. Com os novos produtos, como a estrobirulina e outros defensivos a base de cobre, o produtor gasta R$ 3,6 mil a mais em cada pulverização.

— Aquele medo que a gente tinha no começo do ano se tornou realidade. Com a diminuição das exportações acabou sobrando para nós um custo maior por não poder usar mais o carbendazim. Com o preço da laranja baixo não tem condições de trabalhar deste jeito — afirma o produtor.

Para o consultor em citricultura Francisco Pierri Neto, a saída passa pela adaptação aos novos tempos.

— O carbendazim é passado. Hoje não pode mais ser utilizado na citricultura então tem quase adaptar a esta situação. Se o citricultor estiver bem orientado e souber utilizar dos outros produtos ele vai cumprir o ciclo da cultura, vai conseguir colher uma fruta viável e não vai ter um aumento de custo pela saída de um produto e pela entrada de outro produto — analisa.

Para conquistar a produtividade, o citricultor deve seguir corretamente a rotação na hora de aplicar os inseticidas e saber a carência exata de cada um deles.

— É importante ele saber a carência do produto para que não colha nenhum fruto com resíduo — explica.

Os produtores de Limeira enfrentam ainda outro problema, pois boa parte da produção não vai ser absorvida pela indústria. Vendendo a caixa de cerca de 40 kg a R$ 7,00 Rosa já pensa em mudar de atividade.

—Estamos tentando aguentar mais um ano. Temos um negócio de família, de 40, 50 anos, mas estamos pensando em mudar para outra coisa — lamenta.

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