O citricultor Ademir Batistela, de Mogi Guaçu, interior de São Paulo, é um exemplo de produtor afetado pelas dificuldades de preço enfrentadas no ano passado. Hoje, ele planta 50 mil pés e a maior parte do produto tem o mercado como destino. Mesmo assim, a compra ainda não é o suficiente para equilibrar os prejuízos da safra passada.
— O que influenciou muito é que uma das indústrias passou a comprar e isto ajudou bastante — afirma.
A safra 2011/2012 foi quase tão boa quanto a anterior, o que é raro na citricultura. A oferta foi muito grande, justamente no ano em que o Brasil passou meses sem exportar suco de laranja para os Estados Unidos, consequência da restrição americana ao uso do fungicida carbendazin. A indústria parou de comprar e o resultado foi catastrófico.
Passado o período de dificuldade, os citricultores estão com grande expectativa para a próxima safra, que já está iniciando.
— Vai ser uma safra menor. Está havendo uma mudança climática, com altas temperaturas. Houve uma quantidade maior de dias com chuva e calor muito forte — comenta o engenheiro agrônomo Eduardo Caram de Souza Dias.
Nos pomares, a oferta menor é esperança de recuperação de preços.
— Vai depender do estoque regulador e do que a indústria de suco vai comprar. É uma expectativa, mas hoje ninguém sabe. Ainda não houve nenhuma procura pela indústria — diz o engenheiro agrônomo.