Área plantada com feijão perde espaço no Rio Grande do Sul

Aumento do preço de soja e milho fez com que produtores investissem mais nessas culturasO tradicional arroz com feijão pode enfrentar dificuldades no Rio Grande do Sul. Nos últimos 10 anos, a produção de feijão encolheu 23%, enquanto a área plantada caiu 47,17%.

A propriedade de Marcos Antônio Sartori, em Linha Baldissera, interior de Caiçara, norte do Estado, é um exemplo dessa situação. Até 2010, eram dedicados 30 hectares ao grão. Neste ano, são apenas sete.

– Tive de reduzir. É preciso trabalhar dobrado para cobrir os custos. Os preços estão cada vez mais baixos. Além disso, é uma planta frágil, se o clima não ajuda, temos prejuízo. Decidi investir em outras culturas – relata o agricultor.

Segundo Eledon Pereira de Oliveira, técnico de avaliação de safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a maioria dos produtores de feijão no Estado usa pouca tecnologia e planta pequena quantidade. Com isso, é mais vantajoso optar por outros cultivos.

– O feijão tem um mercado restrito. Além disso, na armazenagem tem pouca durabilidade, no máximo três meses. A soja não precisa nem armazenar, logo depois da colheita já é vendida para industrialização e para exportação – explica Oliveira.

Para o analista de mercado Renan Magro Gomes, o custo de produção elevado contribui para esse cenário.

– A valorização da soja e do milho na safra anterior estimulou os produtores a apostar nessas culturas.

No Rio Grande do Sul, em 2001 havia 164,7 mil hectares de plantação de feijão, enquanto a produção era de 145 mil toneladas. Em 2011, a área plantada é de 87 mil hectares e a produção chegou a 111,6 mil toneladas.

– A produção deve se estabilizar, porque, apesar de a área plantada ter diminuído, a produtividade média por hectare aumentou – diz o agrônomo da Emater Dulphe Pinheiro Machado Neto.