O preço mínimo para ajudar a escoar a produção de laranja ficou em R$10,10 a caixa de 40 quilos. O valor é maior do que a indústria paga atualmente, cerca de R$7 a caixa. Apesar disso, os produtores afirmam que os custos de produção continuam maiores que os preços de venda.
– O custo de produção é de R$7,50, mais R$3 de frete e colheita. R$10,50 não paga os custos. A gente vai esperar para ficar com um prejuízo menor – afirma o citricultor Igor Tetzner.
A demora do governo para definir a data dos leilões de comercialização da laranja tem deixado os produtores frustrados. O pagamento do preço mínimo não será retroativo, ou seja, não vai valer para as vendas já feitas. Por isso, Igor preferiu esperar. 60% das laranjas continuam nos pés. A cada dia que passa ele perde mais e mais a produção.
O citricultor reduziu a área plantada e diminuiu em 30% os investimentos na lavoura, o que comprometeu a produtividade. No ano passado, colheu 160 mil caixas. Neste ano, serão 130 mil.
Em São Paulo, maior Estado produtor de laranja do país, com previsão de mais de 200 milhões de caixas, a maior parte da safra já foi comercializada. Segundo o presidente da Câmara Setorial de Citricultura, Marco Antônio dos Santos, quanto mais demorar o anúncio, menor vai ser o número de produtores beneficiados pela medida. Por isso, a decisão de fazer pagamento retroativo deveria, segundo Marco Antônio, ser reavaliada.