Balança comercial brasileira tem pior fevereiro da série histórica

Embarques feitos pelo país somam US$ 25,796 bilhões, 13,1% abaixo de igual período em 2014A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 2,842 bilhões no mês passado, pior resultado para meses de fevereiro da série histórica, iniciada em 1980, influenciada por queda nas exportações em todas as categorias de produtos, com destaque para minério de ferro, petróleo, soja e componentes automotivos, informou nesta segunda, dia 2, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Fonte: Ivan Bueno

No acumulado do ano, os embarques feitos pelo país somam US$ 25,796 bilhões, 13,1% abaixo de igual período de 2014 pela média diária das operações.

As importações, por sua vez, ficaram em US$ 14,934 bilhões em fevereiro, com recuo de 8,1% em relação a fevereiro do ano passado com menos compras no exterior dos itens de combustíveis e lubrificantes (-20,3%), bens de capital (-8,0%), bens de consumo (-6,8%) e matérias-primas (-3,0%).

No ano, a importações estão em US$ 31,812 bilhões, 10,2% menores ante os dois primeiros meses de 2014 pela média diária das operações. Com isso, o com saldo comercial do primeiro bimestre ficou negativo em US$ 6,016 bilhões. No mesmo período do ano passado, o déficit era de US$ 6,196 bilhões.

A balança comercial segue este ano prejudicada pelo baixo valor das commodites, perda de dinamismo das exportações de manufaturados e por menores exportações para a Argentina.

A valorização do dólar ante o real pode melhorar o desempenho das exportações, mas autoridades e especialistas em comércio exterior avaliam que assim como um dólar mais valorizado, é necessária também a estabilização no câmbio para permitir planejamento das operações de vendas no exterior.

A fraqueza da balança comercial segue como um dos principais fatores da deterioração das contas externas do país. Em janeiro, a conta transações correntes do balanço de pagamentos registrou déficit de US$ 10,7 bilhões e o Banco Central projeta para fevereiro saldo negativo de US$ 6,4 bilhões.

Para tentar conter renúncia fiscal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou redução do benefício tributário Reintegra para o setor exportador. Com isso, a alíquota de crédito tributário sobre as vendas de produtos no exterior passou a 1% ante 3% para os anos de 2015 e 2016.