– Este é o maior evento do Centro-Oeste relacionado à agricultura brasileira. Sabemos que, dentro de pouco tempo, a região irá produzir mais grãos que todo o restante do país, já sendo responsável por 42% da produção nacional e gerando renda e superávit na balança comercial brasileira – observa o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado.
Problemáticas enfrentadas pela agricultura, como a falta de mão de obra qualificada no campo, a cobrança de royalties e a sucessão familiar foram alguns dos pontos debatidos durante o dia de palestras.
– Este evento é dinâmico e nele queremos discutir os assuntos do momento, mas também olhando pelo menos uma década para frente, porque sabemos que a iniciativa privada trabalha em velocidade muito maior que o poder público. Isso gera enormes desafios para nós que produzimos – destacou Prado.
A logística ficou entre os temas de destaque com a apresentação de um completo diagnóstico dos caminhos e dificuldades de escoamento do que é produzido no Centro-Oeste.
– Esta é uma discussão fundamental. Os desafios são grandes, perdemos em competividade com os custos elevados de escoamento – ressaltou Claudinei Rigonatto, superintendente da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), entidade parceria na realização da Bienal juntamente com a Famato e as Federações de Mato Grosso do Sul (Famasul) e do Distrito Federal (Fape-DF).
Para a senadora Kátia Abreu, o estudo de macrologística confirma a urgência de solucionar um dos maiores entraves à economia brasileira.
– A inserção deste tema na Bienal reafirma a necessidade de construção de um sistema de logística no país. Temos que acelerar a vinda de políticas públicas. Em cinco anos teremos um Brasil diferente – destacou Kátia.
Já o senador Blairo Maggi ressaltou os desafios da sucessão familiar nos negócios do campo como algo que deve ser priorizado na agenda dos empresários rurais. Ele citou como exemplo o próprio grupo do qual é um dos fundadores (Grupo André Maggi).
– Iniciamos a sucessão em nosso negócio e isso não se trata simplesmente de algo de pai para filho. Sucessão é muito mais amplo e envolve o dia a dia e a perenidade do negócio. E isso é algo estratégica para quem produz, faz parte da cadeia do agronegócio e quer seguir firme no mercado, de forma sustentável – destacou Maggi.
Segundo o presidente da Famato, os quatro eixos de discussões do evento – logística, sucessão familiar, mão de obra e biotecnologia – servirão para pautar o futuro do agronegócio pelos próximos 20 anos.
Para o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller, que participa do evento, o Centro-Oeste vem superando as expectativas na produção de grãos apresentando ao país safras recordes. Durante o evento, o secretário intensificou a divulgação do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2013/2014, no qual o governo federal junto ao Mapa trabalha em prol do desenvolvimento do setor do agronegócio no Brasil.
– Por meio de discussões com o setor, o PAP foi elaborado para suprir as necessidades primordiais do produtor, garantindo o crescimento da agricultura no país. Isso reflete no aumento dos recursos disponibilizados nas linhas de créditos de R$ 115 bilhões para R$ 136 bilhões – ressaltou Geller.