O presidente em exercício da AEB, José Augusto de Castro, disse que apesar do forte crescimento das exportações brasileiras nos últimos anos, em razão da elevação das cotações das commodities – produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional – a participação do país cresceu.
– Mas, em termos de cenário internacional, nós continuamos na mesma posição: 20º, 21º, 22º lugar. Não houve crescimento.
Castro atribuiu o patamar atingido em 2011 ao aumento de preços.
– Como o próprio governo diz, as exportações cresceram porque o preço das commodities aumentou. Não a quantidade. Ou seja, [não há] nenhum mérito para o Brasil, porque não é o país que define preço, mas sim o mercado internacional.
A previsão da AEB é que, neste ano, os preços internacionais cairão.
– Nós somos passivos. Assim como passou de 1% (em 2004) para 1,6% agora, foi tudo em decorrência do mercado internacional. E não de uma ação que o Brasil tenha desenvolvido e tenha tido como resultado o aumento da participação.
Para alcançar crescimento mais significativo na participação nas exportações mundiais, ou pelo menos retomar o nível de 1950, Castro apontou a necessidade de o país realizar as reformas de base.
– Para que possamos exportar não apenas commodities, mas também manufaturados. Quer dizer, viabilizar que, em vez de exportar o minério, eu possa exportar também o aço, que gera mais valor agregado e mais emprego. Em vez de exportar soja, eu passe a exportar óleo de soja.
Ele considera elevada a carga tributária no Brasil, que estimula as empresas a exportar o produto bruto, sem beneficiamento.
– Isso vale para a soja, para o couro, o granito, uma série de produtos que poderiam ter beneficiamento aqui. O sistema tributário nacional penaliza quem industrializa, reiterou.