O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspendeu na quarta, dia 21, a criação do Consecitrus a pedido da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, que alega que representantes do grupo atuam de forma enganosa.
A produção brasileira de laranja vem sendo afetada por uma crise. Dentre os problemas estão os estoques cheios, a grande safra e o alto custo da mão de obra.
– Eu entendo que o Consecitrus é vital para criar um diálogo entre a cadeia, que historicamente tem vivido de conflitos. O conselho é um caminho para discutir estoques, políticas públicas, interesses, tamanho da safra e aumento do mercado interno – afirma o diretor da MBagro, Alexandre Mendonça.
O formato sugerido do conselho, no entanto, não agradou parte dos produtores.
– Esse modelo é distorcido, muito enviesado. Ele é a favor da indústria e usa critérios totalmente inaceitáveis. Por exemplo, no caso do tamanho da planta industrial, eles pegam a média: 20 milhões de caixas, quando, na verdade, as que operam são quase o dobro. Quando chega no modo agrícola, eles pegam o topo: 500 hectares, o que representa menos de um por cento das propriedades citrícolas de São Paulo e do Brasil – diz o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas.
Já o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Christian Lohbauer, afirma que o conselho busca apresentar um quadro de mudança de paradigma.
– A situação não se resolve em um ano. Se a Associtrus acha que tem muita coisa errada, não está de acordo e não diz o que é, há pouco que a gente possa fazer – considera.
Foi devido ao modelo do Consecitrus, que não alcançou consenso entre o setor produtivo e a indústria, que ele precisou ser suspenso. As duas partes concordam apenas que, se a instalação do órgão não for feita, pode haver um colapso na produção.
– A situação vai ficar muito mais difícil. Além de não ter um entendimento, um consenso sobre a formação do conselho, vamos ficar com uma safra sem remuneração novamente. Então, as duas coisas vão ter que andar juntas – pontuou o presidente da Câmara Setorial de Citricultura do Ministério da Agricultura, Marco Antônio dos Santos.