Na prática, houve um acordo com o governo para inverter o calendário previsto dos leilões. Ficou definido que no leilão da próxima semana poderão ser subsidiadas até seis milhões de caixas para citricultores de São Paulo e Minas Gerais, volume previsto pelo governo para o leilão de outubro.
– Houve uma troca e as quatro milhões de caixas previstas para o leilão de agosto, vão para o de outubro – explicou Marco Antonio dos Santos, presidente da Câmara Setorial.
Não houve mudança para os produtores paranaenses, que poderão operar até 360 mil caixas no leilão da próxima semana. Os produtores da Bahia e de Sergipe não participarão da operação de Pepro da próxima semana, pois o processamento da laranja ainda não começou nestes Estados. Já para os produtores gaúchos não houve definição, pois não há um preço de referência para a laranja no Estado.
– Sem o preço, fica difícil definir o valor do prêmio do leilão – afirmou Santos.
De acordo com ele, detalhes do leilão seguem para a Secretaria de Política Agrícola do Mapa e devem ser publicados até amanhã no site da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O presidente da Câmara Setorial comemorou a possibilidade de o governo ampliar para até 15 mil caixas o limite por produtor nas operações de Pepro nesta safra e ainda a proposta de o citricultor operar todo o limite em um só leilão. Até agora, o limite para a safra é de 10 mil caixas, com cinco mil de limite por leilão de Pepro.
Dívidas
Na reunião desta quinta, dia 21, a Câmara Setorial avaliou também que há vários entraves para o sucesso da renegociação das dívidas do setor, estimadas em mais de R$ 1 bilhão. O primeiro deles é uma possível restrição ao crédito por parte dos bancos, para os citricultores que pediram empréstimos futuros.
– O banco sabe que o produtor renegocia a dívida e irá frear o novo crédito – disse Santos.
Outro fator que dificulta a renegociação da dívida é que muitos produtores de laranja pegaram empréstimos para outras culturas e utilizaram para o pagamento das dívidas de citros.
– O produtor contrai uma dívida no custeio da laranja e, quando renova, pega recurso para outra cultura. Isso torna o rastreamento muito difícil para uma possível prorrogação – concluiu Santos.