José Urbano Filho é caminhoneiro há 40 anos. Ele possui dois caminhões e é profissional autônomo. Urbano costuma trabalhar cerca de 16 horas por dia e diz que sofre pressão das empresas para cumprir os prazos. Por isso, ele é contra a redução do tempo da jornada dos motoristas.
De acordo com estudo divulgado há um ano pelo Ministério do Trabalho, no mesmo período em que foi aprovada a Lei 12.619, os caminhoneiros são os trabalhadores que mais morrem em serviço. A sobrecarga na jornada é uma das principais causas, como afirma o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros, José Araújo da Silva. Segundo ele, metade dos acidentes que acontecem nas estradas envolvem caminhões.
Porém, com a jornada de trabalho menor prevista em lei, há risco de os motoristas aumentarem a velocidade permitida nas estradas, o que também pode afetar a segurança da população. De acordo com o caminhoneiro Cláudio Dewes, não há um controle sobre a lei e muitos motoristas acabam pagando para ser liberados.
O representante do setor empresarial rebate e diz que os empregadores defendem o mesmo que os caminhoneiros. O presidente da Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística, Flávio Benatti, diz que os empregadores querem uma jornada condizente com a realidade.
Ele afirma que a comissão foi criada para reavaliar a Lei 12.619, mas que pretende interferir em outras leis, inclusive no Código Brasileiro de Trânsito, além de criar demandas que não fazem parte do projeto original. A categoria ainda se divide entre os que defendem uma jornada maior e menos pausas e os que querem que motoristas autônomos sejam liberados da obrigação de cumprir jornada.