– O principal fator para a queda é a seca do início do ano, já que o clima tem uma influência de 50% na safra. Além disso, há o endividamento grande, a dificuldade de acesso ao crédito, a pressão nos custos, tratos culturais menores, o que leva a uma produtividade menor. A tendência é de redução de oferta de cana e de perda de competitividade – disse o sócio-diretor da consultoria, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.
A produtividade deve ficar em apenas 70 toneladas por hectare. A área cultivada na região permanecerá estável e a colheita crescerá 3,8%, para 7,75 milhões de hectares. A produção de etanol deve variar de 25,57 bilhões de litros, na safra 2013/14, para 23,7 bilhões em 2014/15. Já a produção de açúcar deve sair de 34,29 milhões para 31,8 milhões de toneladas entre as safras, segundo estimativa da consultoria. O mix de destino da matéria prima ficará estável entre os períodos, com 45,2% para o açúcar e 54,8% para o etanol, segundo a Canaplan.
Se confirmadas as previsões, a queda na produção de etanol será de 7,3% e a de açúcar deve variar negativamente em 7,26% entre as safras. A estiagem e os custos em elevação devem trazer impactos ainda para a safra 2015/16.
– Com uma seca cavalar, as produções de cana, açúcar e etanol serão menores. Os dados deste ano são muito ruins para o ano que vem. Se preocupem com o fundo do poço, porque o poço é fundo e em 2015/16, se não houver chuva salvadora, vamos cavar o buraco ainda mais – completou ele.
Ainda segundo dados apresentados pelo consultor, 58 usinas devem estar fechadas até o final do ano, 10 só em 2014, devido ao ciclo de crise do setor, iniciado em 2008. No mesmo período, 80 foram abertas, frutos de investimentos feitos até 2007.
Acompanhe a opinião do analista de mercado da G7 Agro, João Oswaldo Baggio, sobre a safra de cana-de-açúcar, em entrevista ao Mercado&Cia.