Cancelamento de leilões Pepro para laranja revolta setor

Segundo o setor, além do cancelamento, ainda há pagamentos a serem feitos de leilões realizados em 2012Os Leilões de Prêmio de Equalização de Preços Pago ao Produtor (Pepro) para laranja não devem acontecer. A informação foi confirmada pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller. O setor ficou insatisfeito e reclama do governo.

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Segundo o presidente da Câmara Setorial de Citricultura de São Paulo, Marco Antonio Santos, diz que o governo demorou para aprovar o decreto que autoriza os leilões de preço mínimo. A portaria só saiu no dia 30 de dezembro e já era tarde demais. As laranjas maduras, prontas para ir ao mercado já não estão mais nas lavouras. Parte da safra de 2013 estragou no pé e a quantidade de frutas para janeiro não é suficiente para beneficiar os produtores.

– Não adiantaria mais realizar. Esses leilões deveriam ter sido feitos, no mínimo, no mês de novembro e no máximo até dezembro. E como não é retroativo, não adianta fazer novos leilões para essa – salienta Santos.

Além do cancelamento, ainda há pagamentos a serem feitos de leilões realizados em 2012. O problema afetou principalmente os produtores que esperavam o recurso para poder reinvestir na safra. A situação tem gerado fortes críticas ao governo e revolta no setor.

– Dezenas de produtores ainda têm que receber o dinheiro dos leilões de 2012, que até o momento não ocorreu. Então, foi pago uma parte e há a necessidade de se concluir o mais rápido possível esses pagamentos. Muitos produtores estão aguardando da Conab – diz o presidente da Câmara do setor.

Os produtores que esperaram pelos leilões, se arrependeram. Muitas frutas apodreceram por não terem sido colhidas ou foram atingidas por doenças como o pinta preta, fungo que derruba a laranja quando ela está passando do tempo de ser colhida. Para agravar ainda mais a situação dos produtores, em janeiro, as indústrias suspendem a fabricação de suco e o que não foi comercializado, corre o risco de ficar sem venda.

Em reposta a insatisfação dos produtores, Geller afirmou que o atraso da portaria e dos pagamentos aconteceram devido a apuração das denúncias de fraudes, referentes aos leilões em 2012, e que depois de esclarecidas, um levantamento mostrou que 80% da safra já havia sido comercializada, tornando desnecessário o leilão.

– Pela argumentação dos representantes do setor, 80 ou 90% do suco ou da laranja já estava comercializado, então, não teria condições de fazer o Pepro agora. Só se fosse feito com data retroativa, mas desta forma não tem como fazer, é ilegal. Também não é possível fazer com o estoque, pois segundo informações, os produtores não possuem estoque – salienta Geller.

O setor pede também a revisão do preço mínimo. Na região de Conchal, interior de São Paulo, por exemplo, o custo de produção é de R$ 16 por caixa. O setor pede o aumento do valor mínimo para R$ 14,50. Geller diz que esta negociação só será decidida depois de concluído o Plano Safra 2014/2015, quando devem ser feitos novos estudos e levantamentos de safra, custos e preços da laranja.
 
– A Conab já está a campo e vamos fazer o novo custo variado de produção. Em cima desse custo podemos estudar a possibilidade de aumentar um pouco o preço mínimo no decorrer do ano, mas isso vai ser uma discussão dentro do Plano Safra – diz o secretário.

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