Na propriedade de Laércio Mendes Ribeiro, no interior de São Paulo, são quase dez hectares de cebola. A colheita só começa em maio, mas o produtor está pessimista. Laércio acredita que os preços devam baixar muito com a colheita, pois atribui aos atravessadores a baixa dos preços. O produtor costumava vender a caixa de 20 quilos por R$ 40, cerca de R$ 2 o quilo. No ano passado, chegou a comercializar a cebola por R$ 1 o quilo, preço que o desmotivou.
– Pelo preço que vendemos quatro anos atrás nós só perdemos. Hoje tem que valer pelo menos dois reais para poder plantar. O custo para o produtor fica de 90 centavos a um real por quilo. Com menos de dois, nós vamos parar de plantar – comenta o produtor.
O período de entressafra tem impulsionado as importações do produto da Argentina. Para maio, a expectativa é de que a oferta nacional siga abaixo da demanda, já que as regiões produtoras não devem colher um grande volume de cebolas.
– A venda caiu bastante. Se não comprassem muito, não tinha a produção para consumo. O preço aumenta por que tem pouco. Só vem cebola importada da Argentina e a brasileira acabou, não tem mais – comenta o feirante Luis Carlos Afonso.
Na Ceagesp, o maior entreposto da América Latina, o estoque de cebola importada ainda é alto. Mas, para o economista Flávio Godas, a situação não deve ficar ruim como a do tomate. O preço deve cair rapidamente.
– Estamos vivendo um momento de intervalo de safra. Tá terminando a safra de Santa Catarina e vai começar a de São Paulo, Minas e Pernambuco. Esse intervalo fez uma redução acentuada no volume ofertado. Mesmo com as importações da Argentina e da Europa, foram insuficientes para atender nosso mercado de consumo interno. Vai haver queda no preço, mas esse preço deve continuar assim pelos próximos 30 dias – comenta Godas.