A produtora Maria do Socorro de Lima, de 54 anos, não se incomoda com o duro trabalho no campo. Ela diz que enquanto tiver forças, essa será sua a rotina. Separada e com os filhos formados, ela se dedica ao que realmente sente satisfação.
– O que eu tinha de fazer pelos filhos, eu já fiz. Já criei os três. Já está todo mundo encaminhado e agora eu tenho que fazer o que eu não fiz por mim. E quero fazer isso no campo, que é a melhor terapia que o ser humano pode imaginar. Trabalhando, não tem essa história de depressão, o tempo é curto. Não dá pra pensar besteira – destaca a produtora.
O produtor rural Pedro Jardim, de 83 anos, trabalhou com os pais na agricultura familiar até os 16 anos, quando seguiu carreira no Exército. Ele conta que, ao entrar para a reserva, o capitão não teve dúvida do que fazer.
– Resolvi voltar às origens. Em 1999, iniciei a plantação de café, em 2002 eu resolvi a transformá-lo em área orgânica, o que está até hoje, quer dizer, tudo o que se produz aqui orgânico é. O químico passa longe do meu portão – disse.
A secretária de trabalhadores e trabalhadoras da Terceira Idade (Contag), Lúcia Moura, diz que o envelhecimento das pessoas no campo desperta a atenção entidade que representa os trabalhadores na Agricultura.
– As pessoas estão com uma média de vida maior, na década de 70, as pessoas viviam em média, 45 anos. A média de vida dos homens, hoje, é 69 anos e as mulheres, 76. Isso faz com que também ajude o campo ficar mais envelhecido. Enquanto eles têm uma forçazinha de trabalho, eles permanecem lá. Eles cuidam do quintal, cuidam de uma roça pequena – destaca.
Lúcia Moura percorre o Brasil para conhecer de perto a realidade dos agricultores familiares e em Santa Catarina, como em muitos outros Estados, nota que a grande preocupação é quanto à falta de sucessores no campo.
– Foi nos dito que 32 mil propriedades pequenas não têm sucessor rural. Significa dizer que quando as pessoas saírem de lá, os filhos, netos, ninguém vai assumir. Essas propriedades vão ser inseridas em outras propriedades que são maiores e aí vão deixar de existir, então, para nós é um dado muito ruim, e não é só em Santa Catarina – disse Lúcia.
– Eu tenho uma família pequena, duas filhas e dois netos. Eles gostam daqui, mas não têm tendência nenhuma de fazer ou tentar conduzir como agricultores. Não levo muita fé – disse Jardim.
Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, o governo acendeu o sinal vermelho para o assunto.
– Nós temos programas desde o Pronaf Jovem, passando pela política de reforma agrária geracional. Todos os novos assentamentos da reforma agrária, a gente reserva pelo menos 5% dos lotes para jovens abaixo de 29 anos. Nós assentamentos os já existentes, havendo ocorrência de lotes vagos, esses lotes vagos serão priorizados para filhos ou filhas de assentados – disse o deputado.
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