Ver muitas frutas no chão é um cenário comum nas propriedades do interior de São Paulo. Na época da colheita a indústria não estava comprando e agora, para a laranja que resta, as empresas estão pagando R$ 6,00 pela caixa de 40kg.
— R$ 6,00 não cobre talvez 50% do custo de produção. Mais um ano como esse e a perda de produtores e da área de laranja será muito grande — afirma o presidente da Informa Economics FNP, Maurício Mendes.
Com o problema de estiagem na Flórida, nos Estados Unidos, região bastante representativa na citricultura mundial, a estimativa é que os estoques diminuam, o que poderia provocar um aumento do consumo do produto brasileiro. Mas, enquanto isso, a melhor alternativa aos produtores tem sido migrar para a laranja de mesa.
— O que acontece em anos como de 2012, que são anos de uma oferta muito grande de laranja, é que muitos produtores acabam tendo que encontrar o seu consumidor da forma como podem. Alguns realmente embalam a fruta em casa mesmo e tentam fazer a venda pro consumidor final — comenta Mendes.
A tática foi usada pelo produtor Osvaldo Dibbern. Ele adquiriu equipamentos de lavagem e processamento das frutas e hoje vende em caixas de 25kg direto ao consumidor.
— Funciona bem. É uma alternativa para a gente sobreviver. Se não fosse fazer isso, a gente não conseguiria manter a propriedade.
A cada safra ele vende cerca de 60 mil caixas. Cerca de 40 mil são comercializadas na propriedade para feirantes, restaurantes e famílias. Ele consegue R$ 7,00 por 25 kg, enquanto que na indústria seria R$ 6,00 pela caixa com 40kg. A lucratividade é boa, mas requer trabalho e atenção ao produto.
— Tira uma margem melhor, mas precisa ter a fruta de acordo. Não pode ter fruta fraca, imprópria — explica Dibbern.