Citricultores de São Paulo temem quebra de contrato com indústria

Laranjas estão caindo do pé antes do previsto, em consequência podem faltar frutas para entrega já combinadaProdutores de laranja de São Paulo estão perdendo suas frutas. Sérgio Sartori, citricultor em Piracicaba, tem contrato com uma indústria, que pode retirar o produto até o fim do ano. O problema é que, com a seca, os prazos se tornaram um problema e muitas laranjas já caíram do pé.

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– A fruta não desenvolve, não atinge um tamanho padrão. Geralmente, tem que ter pouco mais de 200 laranjas para dar uma caixa peso. Agora, está passando de 300 frutas para dar uma caixa peso – contabiliza o produtor.

A qualidade das laranjas já não é a mesma e os gastos com defensivos aumentaram. Mesmo assim, o produtor não conseguiu evitar doenças, como a pinta preta e a cochonilha de cabo, que também facilitam a queda da fruta, antes da hora.

As frutas que restaram nos pés devem ser entregues à indústria até outubro, mas o receio dos produtores é de que os contratos não fechem.

– Alguém deles teria que vir, ou o contrato precisaria ser renovado, ou alguma cláusula deveria dizer que a laranja caiu e aí se teria uma nova estimativa para outro contrato – sugere o citricultor.

O contrato prevê a entrega de 7,5 mil caixas, 2,5 mil de laranja pêra, que já foram colhidas, e 5 mil de laranja valência, que é a que está sendo perdida. No documento, consta que a indústria pode retirar os produtos até o fim do ano, o que mostra que a empresa está dentro da lei. Mas, diante da atual realidade, pode haver ainda mais prejuízo. No contrato, há também uma cláusula que avisa que se o vendedor não entregar a quantidade combinada dentro do prazo, é aplicada uma multa de 20% em cima do valor total de laranjas que faltam.
 
– Nesse ano político, os governos só estão pensando em fazer a campanha deles e deixa o agricultor, o citricultor abandonado – protesta Sartori.

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