— Eles vão avaliar até meados da semana que vem e vamos ver como a FDA vai reagir às nossas argumentações — disse Lohbauer, referindo-se à reunião da CitrusBR, que representa a indústria brasileira de suco, realizada nessa quinta, dia 26, com a autoridade sanitária americana.
Lohbauer revelou que a CitrusBR pediu à FDA que amplie os limites de carbendazim para o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), o mais exportado para os Estados Unidos, para entre 55 e 60 ppb, enquanto o órgão permite apenas 10 ppb para todos os tipos de suco.
O executivo explicou que pelo fato de o FCOJ ser até seis vezes mais concentrado que o suco fresco, a concentração do carbendazim na bebida também é ampliada com a retirada da água.
— Se essa questão do concentrado for avaliada, resolve praticamente todo o problema — disse Lohbauer.
Nesta sexta, a FDA divulgou que cinco cargas de suco brasileiro foram rejeitadas por limites acima de 10 ppb de carbendazim desde o início de janeiro: três delas estão retidas e duas foram retiradas pelas próprias empresas.
Lohabuer revelou que a CitrusBR apresentou à FDA um cronograma de eliminação do uso do carbendazim – princípio ativo de fungicidas – nas lavouras brasileiras em até 18 meses “para garantir que o carbendazim sairá (do Brasil) e terá zero de resíduos do suco”, afirmou. O prazo ocorre para que estoques de suco com o produto químico sejam escoados e que os produtores troquem a aplicação dos fungicidas por outros sem carbendazim.
Ainda segundo o presidente da CitrusBR, até que haja uma solução para o impasse, deverão permanecer as rejeições de cargas de suco de laranja e cada empresa decidirá o que fazer com a bebida. Nas cargas rejeitadas pela FDA há um prazo de 90 dias para a reexportação, caso contrário a bebida será destruída.
Lohabuer também voltou a ressaltar que não há ameaça à saúde na ingestão de suco de laranja brasileiro com os atuais limites permitidos de carbendazim. Na União Europeia, por exemplo, o limite é de 200 ppb, enquanto o Codex Alimentarius proposto pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), permite até 1.000 ppb.
— É bom lembrar que nas primeiras análises do suco que já estava internalizado nos Estados Unidos usaram as 80 ppb (de limite máximo de carbendazim) e toda a bebida foi liberada — lembrou.