CitrusBR acredita em solução legal para entrada de suco nos Estados Unidos

Presidente da entidade, Christian Lohabauer, disse que FDA poderá rever posição quanto ao limite para uso do fungicida carbendazimO presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Christian Lohabauer, espera que até a próxima semana seja encontrada "uma saída legal" para o fim da rejeição de cargas de suco brasileiro pelos Estados Unidos por causa da presença de resíduos de carbendazim. Em teleconferência realizada nesta sexta, dia 27, com jornalistas, o executivo disse que "até terça ou quarta" da próxima semana a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla

— Eles vão avaliar até meados da semana que vem e vamos ver como a FDA vai reagir às nossas argumentações — disse Lohbauer, referindo-se à reunião da CitrusBR, que representa a indústria brasileira de suco, realizada nessa quinta, dia 26, com a autoridade sanitária americana.

Lohbauer revelou que a CitrusBR pediu à FDA que amplie os limites de carbendazim para o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ), o mais exportado para os Estados Unidos, para entre 55 e 60 ppb, enquanto o órgão permite apenas 10 ppb para todos os tipos de suco.

O executivo explicou que pelo fato de o FCOJ ser até seis vezes mais concentrado que o suco fresco, a concentração do carbendazim na bebida também é ampliada com a retirada da água.

— Se essa questão do concentrado for avaliada, resolve praticamente todo o problema — disse Lohbauer.

Nesta sexta, a FDA divulgou que cinco cargas de suco brasileiro foram rejeitadas por limites acima de 10 ppb de carbendazim desde o início de janeiro: três delas estão retidas e duas foram retiradas pelas próprias empresas.

Lohabuer revelou que a CitrusBR apresentou à FDA um cronograma de eliminação do uso do carbendazim – princípio ativo de fungicidas – nas lavouras brasileiras em até 18 meses “para garantir que o carbendazim sairá (do Brasil) e terá zero de resíduos do suco”, afirmou. O prazo ocorre para que estoques de suco com o produto químico sejam escoados e que os produtores troquem a aplicação dos fungicidas por outros sem carbendazim.

Ainda segundo o presidente da CitrusBR, até que haja uma solução para o impasse, deverão permanecer as rejeições de cargas de suco de laranja e cada empresa decidirá o que fazer com a bebida. Nas cargas rejeitadas pela FDA há um prazo de 90 dias para a reexportação, caso contrário a bebida será destruída.

Lohabuer também  voltou a ressaltar que não há ameaça à saúde na ingestão de suco de laranja brasileiro com os atuais limites permitidos de carbendazim. Na União Europeia, por exemplo, o limite é de 200 ppb, enquanto o Codex Alimentarius proposto pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), permite até 1.000 ppb.

— É bom lembrar que nas primeiras análises do suco que já estava internalizado nos Estados Unidos usaram as 80 ppb (de limite máximo de carbendazim) e toda a bebida foi liberada — lembrou.