
A colheita de soja no Rio Grande do Sul está na fase final, com remanescentes concentrados em áreas de segunda safra e talhões semeados tardiamente, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar) nesta quarta-feira (4). No milho, a retirada do grão alcançou 97% da área cultivada no estado. O levantamento também mostra oscilações de preços e indica cautela para a próxima safra de arroz e trigo.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, as condições meteorológicas da última semana permitiram a colheita da maior parte das lavouras maduras de soja. Ainda assim, a elevada umidade relativa do ar, a ocorrência frequente de neblina e a menor insolação retardaram a perda de umidade dos grãos e limitaram o ritmo das máquinas em algumas regiões.
A produtividade média estimada da soja está em 2.871 quilos por hectare, em uma área de 6,62 milhões de hectares. O levantamento também registra redução do potencial produtivo em lavouras tardias e de safrinha, em razão do aumento da incidência de doenças foliares. No mercado gaúcho, o preço médio da saca subiu 0,74% na semana, de R$ 115,52 para R$ 116,37.
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No milho, a colheita avançou de forma mais lenta e chegou a 97% da área. As áreas remanescentes estão em pequenas propriedades e em cultivos implantados em sucessão tardia. Segundo a Emater/RS-Ascar, temperaturas mais baixas e menor radiação solar prolongaram o ciclo final da cultura. O preço médio do cereal subiu 0,87%, para R$ 59,27 por saca. Na silagem, a colheita ultrapassou 98% da área, com registro de geadas em maio que provocaram queima foliar e redução pontual na qualidade da forragem.
No arroz, a colheita foi concluída no estado, com produtividade elevada e boa qualidade de grãos. Apesar disso, a Emater/RS-Ascar informa que o cenário econômico segue pressionado por cotações abaixo dos custos de produção, menor liquidez e valorização dos fertilizantes. A saca de 50 quilos recuou 0,95%, de R$ 58,66 para R$ 58,10.
Para o trigo, a semeadura da safra 2026 apresenta estabelecimento inicial satisfatório nas áreas plantadas no início da janela recomendada. No entanto, a projeção é de redução expressiva da área em relação à safra anterior, diante de custos elevados, restrições de crédito e de seguro rural e maior percepção de risco climático. Na safra passada, o estado cultivou 1,16 milhão de hectares e colheu 3,45 milhões de toneladas. O preço médio do trigo subiu 1,96%, de R$ 64,24 para R$ 65,50 por saca.
O quadro traçado pela Emater/RS-Ascar indica encerramento da safra de verão com avanços operacionais, mas também com sinais de atenção para o próximo ciclo. A definição da área de trigo e o nível de investimento na safra 2026 devem seguir condicionados ao custo de produção, à oferta de crédito e seguro rural e ao comportamento do clima nas próximas semanas.
Fonte: Estadão Conteúdo