Com crise, produtores de banana do interior de São Paulo apostam na mudança de cultura

Piscicultura e produção de palmito alavancam economia do município de MonguagáProdutores de banana do município de Monguagá, no interior de São Paulo, recebem apoio da prefeitura para enfrentar a crise. Para obter maior rendimento, muitos estão optando pela piscicultura e produção de palmito.

No auge, na década de 1970, Monguagá tinha cerca de 500 hectares de bananais, com produção média de 10 mil toneladas da fruta por ano. Com a crise, o preço pago pelo produto caiu de R$ 14,00 a caixa para R$ 7,00. Hoje, o agricultor Luiz Ribeiro é o único produtor que ainda comercializa bananas no município, mas já aposta também na piscicultura.

Ele resolveu diversificar porque ficou difícil vender a fruta. Ribeiro tem 18 mil pés na propriedade, que rende cerca de 500 caixas por mês, metade do que produzia nos bons tempos da banana na região. Segundo o produtor, a estrutura deficiente das estradas da região dificultava o escoamento, o que fez compradores preferirem buscar o produto no Vale do Ribeira, onde as propriedades ficam perto da rodovia.

Na piscicultura há dois anos, Ribeiro tem quatro viveiros com 600 metros quadrados cada. A construção dos tanques custou cerca de R$ 4 mil ao todo. A capacidade produtiva é de 4,8 mil quilos de peixe de diferentes espécies. Agora ele aposta também em um projeto da prefeitura que incentiva a produção de lambaris.

— O lambari é um produto diferenciado, que desperta um certo saudosismo, já que antigamente o lambari frito era um prato comum na zona rural de Mongaguá — afirma o diretor de Agricultura, Abastecimento e Pesca da prefeitura, Fernanco Gonçalves.

Além da produção de peixes, mudas de palmito também são vendidas aos produtores por um preço simbólico. O dinheiro vai para o fundo agropecuário da cidade. O agricultor Marcelo Ogawa tem uma pequena plantação de banana, um pesqueiro já consolidado e agora começa a plantar o palmito pupunha.

O próximo passo é continuar diversificando, tanto na propriedade quanto no cardápio.

— Pretendo criar um prato totalmente regional, com o peixe, a banana e o palmito, mas ainda é segredo — comenta Ogawa.