A perspectiva da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) é de uma produtividade 15% na safra 2012/2013 na comparação com o período anterior. Mesmo com a baixa, a produção deve atingir 364 milhões de caixas. Se transformadas em suco, equivalem a 1.192 mil toneladas. O problema é que toda indústria brasileira do setor tem capacidade de comportar 825 mil. O excedente não foi motivado somente pela grande safra, mas também pela redução no consumo externo e por causa dos estoques das indústrias, que já estão altos desde a safra passada, quando se teve produtividade recorde e o governo interviu com uma linha de crédito especial para estocagem.
O que o setor não previa é que 2012/2013 seria outro período de produção elevada. Para tentar solucionar a questão, representantes do setor buscam apoio do governo federal, por meio do Ministério da Agricultura.
— Vai ter que se construir uma política para a laranja nesse ano. Entre as possibilidades está a gente conseguir uma prorrogação da LEC (Linha Especial de Crédito) para financiar estoques e não para remunerar a fruta. Tem que se fazer algum programa de consumo da fruta no Brasil. Incentivo e distribuição dessa fruta e outras coisas que o governo puder colocar na mesa. Existem esses programas do governo, de PEP e Pepro, que nunca se aplicaram para a laranja. Talvez de alguma forma isso possa ser construído para a gente passar mais esse ano de dificuldade — afirma o presidente-executivo da CitrusBR, Cristian Lohbauer.
Até que se tenham alternativas governamentais, as indústrias não devem fechar novos contratos de aquisição de produto, apenas devem cumprir com os contratos já fechados em anos anteriores.
— Quem está sem contrato está numa situação bem difícil. Não há demanda para a laranja. Tem laranja demais. Quem tem contrato vai ter seus contratos honrados. Quem não tem contrato vai ter que entrar nesse programa com a gente para ver se consegue remediar a situação. Porque vai ser difícil — diz Lohbauer.