— A omissão e morosidade do serviço público brasileiro em reconhecer e demarcar as terras indígenas, além de ser uma violência em si contra os povos indígenas, potencializa outros tipos de violência — afirma o representante do Conselho Indígena Missionário, Cleber Buzatto.
O relatório aponta também que chegaram a 94 as tentativas de assassinato no ano passado e que mais de 300 pessoas estão juradas de morte no campo.
Das mortes de índios registradas, 22 permanecem sem solução. O governo federal explica que nem todas as execuções foram causadas por conflitos no campo, mas concorda que a impunidade incentiva os crimes.
— A impunidade contribui para violência no campo, pois as pessoas, vendo que aqueles que praticaram assassinatos não tiveram responsabilidade apurada, passam a praticar outras ilegalidades — comenta Gercino José Filho, da Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo.
Representantes da Polícia Federal alegam que a dificuldade de acesso às áreas impede uma atuação mais efetiva.
— Esses conflitos acontecem no campo, locais que são afastados dos grandes centros, o que dificulta as apurações — diz o delegado Antônio Sanchez.