Conflito por terra é apontado como principal motivo para mortes de indígenas no país, diz CNBB

Relatório da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil apontou 51 assassinatos em 2011Um relatório do Conselho Indigenista Missionário, entidade ligada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgado no início de junho, apontou o conflito agrário como o principal motivo para morte de indígenas no país. O levantamento indicou 51 assassinatos no Brasil em 2011, dos quais 32 ocorreram em Mato Grosso do Sul.

— A omissão e morosidade do serviço público brasileiro em reconhecer e demarcar as terras indígenas, além de ser uma violência em si contra os povos indígenas, potencializa outros tipos de violência — afirma o representante do Conselho Indígena Missionário, Cleber Buzatto.

O relatório aponta também que chegaram a 94 as tentativas de assassinato no ano passado e que mais de 300 pessoas estão juradas de morte no campo.

Das mortes de índios registradas, 22 permanecem sem solução. O governo federal explica que nem todas as execuções foram causadas por conflitos no campo, mas concorda que a impunidade incentiva os crimes.

— A impunidade contribui para violência no campo, pois as pessoas, vendo que aqueles que praticaram assassinatos não tiveram responsabilidade apurada, passam a praticar outras ilegalidades — comenta Gercino José Filho, da Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo.

Representantes da Polícia Federal alegam que a dificuldade de acesso às áreas impede uma atuação mais efetiva.

— Esses conflitos acontecem no campo, locais que são afastados dos grandes centros, o que dificulta as apurações — diz o delegado Antônio Sanchez.