RISCOS

Conflito prolongado no Oriente Médio ameaça oferta de fertilizantes, diz indústria

Setor descarta falta do insumo no momento, mas vê cenário preocupante se guerra continuar por mais tempo

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A combinação de fatores internos e externos tem elevado os custos dos fertilizantes no Brasil e acendido o alerta no setor. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Adubos do estado do Paraná (Sindiadubos-PR) , Aluísio Schwartz, o produtor rural enfrenta um cenário de pressão nos preços, enquanto a rentabilidade segue comprometida.

“Estamos praticamente em uma tempestade perfeita, com fertilizantes disparando e o preço dos grãos não acompanhando. A relação de troca está extremamente desfavorável para o produtor”, afirmou em entrevista ao Mercado & Cia.

Medidas internas elevam custo no campo

Entre os fatores internos, Schwartz destaca o impacto do novo modelo de cobrança de PIS/Cofins, que entra em vigor em abril e deve elevar o custo dos fertilizantes em cerca de 2%.

“O agricultor, a partir de 1º de abril, vai pagar cerca de 2% a mais pelo fertilizante com a nova cobrança de PIS/Cofins”, disse.

Além disso, a tabela mínima de frete também pressiona os preços. Segundo ele, a medida elimina uma dinâmica comum do setor, em que o frete do fertilizante era mais barato no retorno dos caminhões após o escoamento da safra.

“Agora o agricultor vai pagar pelo fertilizante o mesmo frete que paga para levar o grão ao porto. Isso encarece o custo”, afirmou.

O aumento do diesel também entra na conta. “O diesel impacta diretamente o custo do produtor, porque ele é amplamente utilizado em toda a operação no campo”, acrescentou.

Oferta global preocupa e aumenta incerteza

No cenário internacional, a preocupação está ligada à redução da oferta de insumos. A menor disponibilidade de enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes, já impacta a produção global.

Segundo Schwartz, o Brasil já sente esse efeito, com redução no volume do insumo importado.

“O mundo inteiro está com menos enxofre disponível. Se você olhar o lineup no Brasil, ele já está reduzido”, afirmou.

Ele também citou restrições nas exportações por parte da China e os efeitos de conflitos geopolíticos nas cadeias de suprimento.

Apesar do cenário, Schwartz afirma que o histórico do setor mostra que o abastecimento costuma se ajustar, mas reconhece que o momento é mais incerto.

“Em anos anteriores já houve risco de desabastecimento, mas nunca aconteceu. Sempre, na última hora, o mercado se ajustou e o fertilizante chegou”, disse.

No entanto, ele alerta para um ambiente mais desafiador neste ano.

“Este ano é diferente. Está mais difícil prever o que pode acontecer daqui para frente”, afirmou.

O presidente do Sindiadubos-PR destacou ainda a dependência do fornecimento internacional de enxofre.

“Um dos principais fornecedores do Brasil indica que consegue manter o fornecimento por cerca de dois meses sem novas cargas. Depois disso, a situação fica mais delicada”, explicou.

Para ele, a normalização das rotas internacionais será decisiva. “Temos que torcer para que as rotas no Golfo Árabe sejam restabelecidas o mais rápido possível, para que esse enxofre volte a chegar”, disse.