Congresso internacional discute certificação de soja no Paraná

Conceito RTRS está no Brasil há três anos e país já é campeão em toneladas certificadas internacionalmenteAcontece nesta semana, em Foz do Iguaçu, no Paraná, o Encontro Internacional dos Produtores Certificados de Soja. O Canal Rural foi até lá para mostrar um conceito importante, que é chamado RTRS (Round Table on Responsible Soy) e começou a ser discutido na Holanda, em 2006.

– Nós estamos já há três anos no Brasil certificando propriedades e temos visto uma alta capacidade de certificar propriedades no Brasil. O país passou a ser o principal no mundo com mais soja certificada, 1,5 milhão de toneladas e esperamos chegar a dois milhões no fim do ano. No mundo todo tem 2,5 milhões, então já dá para ver a capacidade do produtor brasileiro de se adequar a esta certificação – explica o representante da RSRT Brasil, Daniel Meyer.

Para conseguir o certificado da RTRS é preciso obedecer a cinco princípios básicos: cumprimento legal e boas práticas empresariais; condições de trabalho responsáveis; relações comunitárias responsáveis; responsabilidade ambiental e práticas agrícolas adequadas.

Mas convencer o produtor ainda é o maior obstáculo, pois o custo é alto. A promessa é que a médio e longo prazos o certificado agregue um valor à produção. A cada tonelada são recebidos até R$1 0 a mais de crédito.

– A RTRS oferece a possibilidade de participar de uma plataforma de compra e venda de créditos, o produtor recebe o benefício econômico por tonelada de soja certificada e ele pode negociar os seus créditos com compradores da indústria, da sociedade civil das outras empresas – diz Meyer.

Das indústrias e dos grandes grupos que vendem para o mercado europeu também se exige o certificado. No Brasil, o Grupo Amaggi participa do processo desde o início e já vem recebendo a compensação dos clientes a Europa.

– A gente tem várias certificações que existem atualmente no mercado. Relacionado à RTRS, a gente tem a certificação de duas propriedades nossas que geram em torno de 180 mil toneladas certificadas. Além disto, a gente vem trabalhando com alguns produtores, então a gente certificou, nestes últimos anos, 54 produtores numa média de 320 a 350 mil toneladas certificadas. Ainda é um volume muito pequeno em relação à produção mundial e brasileira, mas a gente acredita que é um primeiro passo – afirma a diretora de Sustentabilidade do Grupo Amaggi, Juliana Lopes.

O produtor rural Elídio Variani começou o trabalho na lavoura na década de 1960 e recebeu o certificado no fim do último ano, pela responsabilidade social, pelas boas práticas agrícolas como uso da rotação de culturas e pela preocupação ambiental. O produtor espera, em breve, colher os resultados.

– Claro que vale, porque a gente tem um pouco de ganho em cima, a porcentagem sempre ajuda – diz o produtor.