Consecitrus apresenta modelo para a formação de preços da laranja aos produtores de Ribeirão Preto

Produtores entraram no debate com o objetivo de ajudar na construção do novo modelo de diálogo com a indústriaRepresentantes do Conselho dos Produtores de Laranja e das Indústrias de Suco de Laranja (Consecitrus) apresentaram nesta quinta, dia 1º, em Ribeirão Preto (SP), o novo modelo para a formação de preços da fruta aos produtores. Mais uma vez, a proposta dividiu opiniões. O novo conselho, que tem o objetivo de estabelecer políticas e diretrizes para a cadeia produtiva de citrus, ainda enfrenta a resistências de algumas associações ligadas aos produtores.

Os produtores chegaram a conclusão de que a cadeia produtiva da citricultura está desorganizada e mergulhada em uma crise.

– Nós estamos completamente desamparados. A indústria se uniu; os produtores, não. Hoje estamos vendo o problema – afirma o produtor Antônio Fortes Filho.

A indústria passou a verticalizar a produção por ser mais barato do que comprar de terceiros e pela segurança de mercado, diante de tantos conflitos diretos com os produtores.

O Consecitrus passou o ano de 2012 formatando o novo estatuto. Venceu a proposta da construção de números nacionais para o setor. Agora, o conselho pretende divulgar o novo modelo e espera a adesão dos citricultores. O desafio é manter a transparência da indústria, já que existia uma imagem, por parte dos produtores, de que ela era uma caixa preta. Um ponto positivo do conselho é de que a cadeia da laranja teve acesso a mais informações nos últimos dois anos do que em três décadas.

O produtor Mário Bosio, que está na atividade há 30 anos, ficou sem comprador e levou um prejuízo de R$ 500 mil. Agora, ele considera importante o papel do Consecitrus em divulgar as informações do mercado. Ele acredita que a tendência seja a qualificação do setor.

Os produtores entraram no debate com o objetivo de entender e ajudar na construção do novo modelo de diálogo com a indústria. O presidente do Sindicato dos Citricultores de Ibitinga (SP), Frauzo Sanches, explica a realidade do setor:

– Mesmo que o Consecitrus seja perfeito, se a indústria continuar plantando, não existirá boca para consumir todo esse suco. Os produtores não terão capacidade de continuar no setor. Por isso, é fundamental que exista transparência e que as pessoas possam ser ouvidas dentro deste conselho.

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