Consecitrus tem reviravolta com veto da Faesp ao nome de João Sampaio para superintendência da entidade

Medida provocou o adiamento da assinatura do estatuto de criaçãoA criação do Consecitrus, conselho entre citricultores e a indústria de suco de laranja para estabelecer políticas e diretrizes para a cadeia produtiva de citros, sofreu um reviravolta entre a tarde e a noite de terça, dia 17, com a o adiamento da assinatura de seu estatuto de criação. A medida foi tomada após o veto da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) à indicação do ex-secretário de Agricultura paulista João Sampaio como superintendente do Consecitrus e pode por fim às ne

Depois de ficar sozinha no Consecitrus como representante dos produtores, com as saídas da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e da Associação Brasileira de Citricultores (SRB), a Faesp sustentou que o fato de Sampaio ser ligado à SRB seria incompatível com o comando executivo do conselho.

Momentos antes de assinar o documento, na tarde de terça, o presidente da Faesp, Fábio Meirelles, expôs as divergências a Sampaio em uma conversa particular e disse que o fato de o ex-secretário já ter presidido a SRB o impedia de assumir o Consecitrus.

Após o encontro privado, Meirelles e Sampaio se reuniram com, entre outros, os empresários José Luiz Cutrale, presidente da Sucocítrico Cutrale, e Cláudio Ermírio de Mores, acionista e principal executivo da Citrovita/Citrosuco. O encontro deveria culminar com a assinatura do estatuto do Consecitrus, mas quando Meirelles expôs o veto, Sampaio levantou da mesa e deixou a reunião.

Moraes, da Citrovita/Citrosuco, disse que também não assinaria o estatuto se Sampaio, que intermediou todas as negociações, não dirigisse o Consecitrus. Após Sampaio deixar a reunião, Cutrale e Moraes passaram, então, cerca de três horas tentando convencer Meirelles a rever a decisão. O presidente da Faesp defendia a indicação de Thyrso Meirelles, seu filho, para a superintendência do Consecitrus.

Sem sucesso, os empresários foram a um restaurante, voltaram a se reunir com Sampaio para tentar salvar o Consecitrus, com os possíveis retornos da SRB e até mesmo a entrada da Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus) para representarem os produtores. Durante a conversa, Meirelles ligou para Cutrale, disse que estava revendo seu veto a Sampaio e que iria o restaurante para, enfim, selarem a paz e fecharem o acordo.

Sampaio, então, expôs que não haveria clima para sua presença no Consecitrus após o veto claro de Meirelles e que só aceitaria permanecer no conselho, e comandá-lo, com a volta da SRB, a presença da Coopercitrus e até mesmo com um possível retorno da Associtrus, como representantes dos produtores. Procurado pela Agência Estado, Meirelles ainda não se pronunciou.

Como a presença de Sampaio passou a ser uma exigência das indústrias, os negociadores tentam, ainda nesta quarta-feira, reverter a crise no Consecitrus, criada antes mesmo de o conselho ser efetivado. Caso consigam e o estatuto seja assinado, o documento será encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para avaliação.

A indústria de suco de laranja considera que o sinal verde do Cade para o Consecitrus poderia facilitar uma posição futura do órgão de defesa da concorrência nos diversos processos de concentração econômica no setor de produção de suco de laranja que avalia.

Faesp diz que veto a Sampaio no Consecitrus foi mal-entendido

O coordenador da mesa de citricultura da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Marco Antonio dos Santos, afirmou nesta quarta que o veto da entidade à indicação de Sampaio foi “um mal-entendido”. Segundo ele, houve apenas um questionamento do presidente da Faesp sobre a indicação durante a tentativa de assinatura do estatuto.

– A Faesp não quer vetar a presença do João no Consecitrus. O nosso presidente só questionou o fato de essa indicação ter sido apresentada na terça. Infelizmente, a poeira levantou muito, houve um equívoco, mas nós já voltamos a conversar e esperamos que até o início da semana que vem tenhamos uma definição sobre o Consecitrus – completou o representante da Faesp.

Santos, que também preside a Câmara Setorial da Citricultura do Ministério da Agricultura, reconheceu, no entanto, que a Faesp não aceitou que Sociedade Rural Brasileira (SRB) tivesse uma participação igual a sua no conselho, o que levou à saída entidade das negociações do Consecitrus.

– A Faesp representa 237 sindicatos em São Paulo e mais de 160 são citrícolas. A SRB não tem representação no interior de São Paulo, no front do produtor. Mas esperamos que a SRB retorne à mesa de negociação – disse.