Consultoria defende alternativas para frear alta de alimentos

Principal sugestão é que governos adquiram opções de compra de produtores de biocombustíveis para forçar liberação de grãos e oleaginosas de volta para cadeia alimentarA consultoria britânica de assuntos internacionais Chatham defendeu, em relatório divulgado nesta segunda, dia 10, que uma alternativa para frear altas de preços dos alimentos seria os governos ao redor do mundo adquirirem opções de compra de produtores de biocombustíveis para forçar a liberação de grãos e oleaginosas de volta para a cadeia alimentar. A medida serviria como um estoque global virtual, em um momento em que o volume de grãos armazenado permanece perto do mínimo necessário para aten

Conforme o relatório, essa e outras alternativas devem ser avaliadas porque o mundo permanece a apenas uma ou duas colheitas pouco volumosas de uma crise mundial de preços dos alimentos, com estoques reguladores menores do que costumavam ser. Para a Chatham, as instituições internacionais existentes não conseguirão lidar sozinhas com mercados cada vez mais voláteis.

A consultoria acredita que a compra de opções por parte de governos seria mais atrativa para os produtores de biocombustíveis do que propostas alternativas, como desmantelamento ou flexibilização de regras de mistura obrigatória. Segundo a Chatham, os governos poderiam obter uma participação satisfatória por meio de leilões de contratos, a fim de chegar a um preço adequado para a opção. No entanto, o relatório destacou que a eficácia da medida dependeria do grau de envolvimento dos fabricantes de biocombustíveis. Por outro lado, contribuintes poderiam criticar o uso de dinheiro público para compra de contratos caros de indústrias já fortemente subsidiadas.

O relatório destacou ainda que uma outra abordagem seria governos doadores comprarem contratos com especificações de entrega para desviar grãos para o Programa Mundial de Alimentos, o que protegeria o instrumento das Nações Unidas, diminuindo a sua exposição às disparadas dos preços de commodities.

Ainda de acordo com o documento, também existe a possibilidade de criar um clube de países com estoques de alimentos e fixar uma série de regras pelas quais eles interviriam no mercado em caso de preços excessivamente baixos ou altos. No entanto, conforme a Chatham, essa abordagem estaria sujeita a ataques especulativos e à falta de estoques ou dinheiro por parte dos governos participantes. As informações são da Dow Jones.