Consultoria estima safra de soja maior, sem considerar chuvas no MT

A previsão realizada pela INLT FCStone, aponta que produção de soja no país possa chegar a 104 milhões de toneladas

Daniel Popov, de São Paulo
A safra de soja está chegando a reta final, a colheita começou em praticamente todos os estados e a produtividade inicialmente obtida é acima da média. Com base nisso, a consultoria INTL FCStone elevou suas estimativas para a produção de soja no país em seu relatório de fevereiro. Agora a previsão é que a safra chegue a 104 milhões de toneladas ante as 102,8 milhões de toneladas previstas em janeiro. Mas, um detalhe chamou a atenção, este levantamento ainda não considerou possíveis efeitos que as chuvas constantes registradas em Mato Grosso, terão sobre os grãos colhidos.

Segundo o diretor de commodities da consultoria, Glauco Monte, a previsão inicial já se tratava de um recorde, mas com o bom desenvolvimento das lavouras e clima favorável fizeram rever a estimativa. “Nós estávamos segurando esta elevação, mas as coisas caminharam muito bem para os estados que mais produzem como o Mato Grosso e o Paraná. E revisamos para cima a estimativa, chegando a 104 milhões de toneladas”, explica Monte.

personagem soja

A projeção de área plantada com a oleaginosa foi mantida em 33,5 milhões de hectares. A produtividade esperada, por sua vez, passou de 3,06 toneladas por hectare, estimadas em janeiro, para 3,1 toneladas por hectare, agora. Entretanto, ao ser indagado se as chuvas que afetaram Mato Grosso, no último mês, foram contabilizadas no levantamento, Monte confirmou que não. “Estas chuvas que atrapalharam a colheita em Mato Grosso não foram levadas em consideração ainda. Se estes produtores tiverem problemas, isso vai refletir somente em nossa próxima previsão”, explicou.

Monte aproveitou também para explicar porque o preço da oleaginosa não tem caído na Bolsa de Chicago, já que tanto os Estados Unidos, quanto o Brasil devem confirmar produções recordes nesta temporada. Segundo ele, o patamar atual do dólar, que é a moeda usada no mundo inteiro para negócios, ajuda nessa manutenção. Mas, destaca que a demanda extremamente aquecida é quem tem segurado as cotações no alto. “Os Estados Unidos exportaram um volume recorde assim que colheram. No Brasil, o volume embarcado em janeiro foi recorde, então isso prova que a demanda segue bem aquecida”, afirma.

Entretanto, ele volta a lembrar que para os produtores brasileiros a preocupação não é com o preço, mas com o câmbio. “O Brasil sofre com esse câmbio desfavorável. E o produtor só verá o preço da saca subir se o dólar se elevar também”, finaliza.

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